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segunda-feira, 27 de julho de 2026

O POETA CASSIANO RICARDO

 Cassiano Ricardo foi um poeta, ensaísta, jornalista, funcionário público e advogado brasileiro. De poesia marcadamente nacionalista, buscou inspiração nos motivos folclóricos e históricos brasileiros. Cassiano sempre soube assimilar a estética poética dominante do seu tempo e escreveu poemas segundo os mais variados estilos



Cassiano Ricardo Leite Machado nasceu em São José dos Campos, São Paulo, no dia 26 de julho de 1895. Passou a infância na propriedade rural da família. Com 16 anos escreveu seus primeiros versos ainda na escola, no ginásio em Jacareí.

Ao concluir o ensino médio, Cassiano mudou-se para São Paulo e ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Nessa época, publicou seu primeiro livro de poemas “Dentro da Noite” (1915), com a estética do neo-simbolismo.  

Em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro onde concluiu o curso de Direito. Em 1917, ajustado ao rigor Parnasiano de Alberto de Oliveira, publicou “A Flauta de Pan”, recebendo elogios de Olavo Bilac.

Cassiano Ricardo e Menotti Del Picchia foram alguns dos colaboradores da revista “Paraíba” fundada por Monteiro Lobato, em 1917.

Em seguida, publicou “Vamos Caçar Papagaios” (1926), “Martim Cererê” (1928) e “Deixa Estar, Jacaré” (1931). Em todos esses livros o pitoresco visual de um Brasil primitivo e emblemático funciona como força motivo sob a ótica nacionalista.

Cassiano Ricardo abandonou a advocacia e entrou para o funcionalismo público quando sucessivamente ocupou diversos cargos. Em 1932 assumiu o cargo de secretário do interventor de São Paulo, Pedro Toledo. Nesse mesmo ano, foi preso por apoiar a Revolução Constitucionalista, e passou dois meses na prisão.

No dia 9 de setembro de 1937 foi eleito para a cadeira n.º 31 da Academia Brasileira de Letras, e aí começou uma campanha em prol da valorização da poesia modernista.

A partir de 1940, Cassiano passou a dirigir o jornal “A Manhã”, quando criou o suplemento “Autores e Livros”. Publicou o ensaio “Marcha Para o Oeste” (1940). Com ideias ultranacionalistas explorou a figura do bandeirante.

Em 1943, o pós-guerra passou a ser explorado e batizado pelo poeta como “um mundo de condições atômicas”, em que a máquina comanda a vida humana. Publicou o poema “O Sangue das Horas” (1943).

Com o advento do formalismo de 45 (o 3.º tempo do Modernismo), Cassiano caprichou no verso, tornou-se meditativo e melancólico.

Entre 1953 e 1955, Cassiano residiu na Europa, onde trabalhou como diretor do Escritório Comercial Brasileiro em Paris.

Em 1960, a poesia de Cassiano Ricardo aliou-se aos mais ousados vanguardistas. É dessa época: “A Montanha Russa” (1960), “Poesia Completa” (1960) e “Jeremias Sem Chorar” (1964).

Seu último livro: “Os Sobreviventes” (1971), Cassiano mostra uma franca adesão ao Concretismo e à Poesia Praxis.

Cassiano Ricardo faleceu no Rio de Janeiro, no dia 14 de janeiro de 1974. 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

O MESTRE MACHADO DE ASSIS

 Machado de Assis (1839–1908) foi um dos maiores escritores da literatura brasileira e fundador da Academia Brasileira de Letras.




Nasceu no Rio de Janeiro, de origem humilde, era filho de um pintor e de uma lavadeira. Autodidata, trabalhou como tipógrafo, revisor e jornalista, construindo sua carreira literária aos poucos.
Iniciou escrevendo poesia e romances românticos, mas tornou-se consagrado na fase realista, quando produziu suas obras mais importantes, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba. Seus textos se destacam pela ironia, crítica social, análise psicológica profunda e linguagem refinada.

Machado de Assis morreu no Rio de Janeiro, deixando um legado fundamental para a literatura brasileira e mundial.


quarta-feira, 30 de abril de 2025

MARCELO RUBENS PAIVA

Marcelo Rubens Paiva nasceu em 1º de maio de 1959, na cidade de São Paulo. Ele é filho do ex-deputado Rubens Paiva, que foi preso, torturado e morto em 1971, vítima da ditadura militar. Mais tarde, em 1979, o autor sofreu um acidente ao pular em um lago e ficou tetraplégico. O Brasil conheceu a sua história quando, em 1982, ele publicou o livro autobiográfico, Feliz Ano Velho, que logo se tornou um best-seller. Assim, após essa sua bem-sucedida estreia como escritor, ele publicou outras obras, marcadas pela ironia, irreverência e crítica social.



Com o golpe militar, em 1964, seu pai, o deputado Rubens Paiva (1929-1971), teve o mandato cassado e partiu para o exílio. Mas, logo voltou ao Brasil, e a família foi morar no Rio de Janeiro. Em 1971, o pai do escritor foi preso, torturado e morto.

Assim, o romancista se tornou mais um filho de desaparecido político da ditadura militar brasileira (1964-1985). A partir de então, sua mãe, Eunice Paiva (1932-2018), teve de criar sozinha seus cinco filhos. A família voltou para São Paulo, onde o escritor estudou no Colégio Santa Cruz e passou a escrever para o jornal da escola.

Mais tarde, Marcelo Rubens Paiva vivenciou outro episódio que mudou os rumos de sua vida. Ele estudava engenharia agrícola na Universidade Estadual de Campinas, morava em uma república de estudantes, fazia parte do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e escrevia para o jornal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), quando, em 14 de dezembro de 1979, pulou em um lago, fraturou a quinta vértebra da coluna cervical e ficou tetraplégico aos 20 anos de idade.

Passou por um longo e difícil tratamento, mas pôde, novamente, usar mãos e braços. Assim,  com 21 anos de idade, começou a escrever seu primeiro e mais famoso livro — Feliz Ano Velho —, publicado em 1982. 

A partir daí, passou a dedicar sua vida à militância política e à escrita. Estudou na Escola de Comunicações e Artes da Universidade São Paulo (USP) e fez mestrado em Teoria da Literatura, na Unicamp. Além disso, ganhou os prêmios Jabuti, em 1983, Moinho Santista, em 1985, e Shell de Teatro, em 2000. Desde 2002, é colunista do Estadão (ou O Estado de S. Paulo). Em 2016, recusou a Ordem do Mérito Cultural, em protesto ao governo Temer.

É um autor de esquerda, enfrenta as dificuldades de locomoção experimentadas no dia a dia por cadeirantes brasileiros e está sempre disposto a lutar pela acessibilidade de pessoas com deficiência. Além disso, é diretor de teatro e, em 2016, participou da cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro.


Características da obra de Marcelo Rubens Paiva

Os livros de Marcelo Rubens Paiva fazem parte da literatura contemporânea brasileira e, de forma geral, apresentam as seguintes características:

  • ironia;
  • irreverência;
  • crítica sociopolítica;
  • caráter memorialístico;
  • linguagem fragmentada;
  • tom coloquial;
  • engajamento político;
  • temática urbana;
  • inconformismo diante da realidade.

OBRAS

Prosa

Feliz Ano Velho (1982)

Blecaute (1986)

Ua: brari — do outro lado do mundo (1990)

Bala na Agulha (1992)

As fêmeas (1994)

Não és tu, Brasil (1996)

Malu de bicicleta (2002)

O homem que conhecia as mulheres (2006)

A segunda vez que te conheci (2008)

Crônicas para ler na escola (2011)

E aí, comeu? (2012)

As verdades que ela não diz (2012)

1 drible, 2 dribles, 3 dribles: manual do pequeno craque cidadão (2014)

Ainda estou aqui (2015)

O orangotango marxista (2018)

O homem ridículo (2019)

Teatro

525 linhas (1989)

E aí, comeu? (1998)

Mais-que-imperfeito (2001)

Closet show (2003)

As mentiras que os homens contam (2003)

No retrovisor (2003)

Amo-te (2003)

A noite mais fria do ano (2011)

O predador entra na sala (2012)

C’est la vie (2014)

Amores urbanos (2016)"




quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

RUBEM BRAGA

Rubem Braga foi um escritor e jornalista brasileiro. Tornou-se famoso como cronista de jornais e revistas de grande circulação no país. Foi correspondente de guerra na Itália e Embaixador do Brasil em Marrocos.



Rubem Braga nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, no dia 12 de janeiro de 1913. Seu pai, Francisco Carvalho Braga era proprietário do jornal Correio do Sul. Iniciou seus estudos em sua cidade natal. Mudou-se para Niterói, Rio de Janeiro, onde concluiu o ginásio no Colégio Salesiano.

Carreira literária

Em 1929, Rubem Braga escreveu suas primeiras crônicas para o jornal Correio do Sul. Ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em seguida transferiu-se para Belo Horizonte onde concluiu o curso em 1932. Nesse mesmo ano, iniciou uma longa carreira de jornalista que começou com a cobertura da Revolução Constitucionalista de 32 para os Diários Associados.

Em seguida, foi repórter do Diário de São Paulo. Fundou a Folha do Povo, o semanário Comício e trabalhou no Diretrizes, semanário de esquerda dirigido por Samuel Wainer. Em 1936, Rubem Braga lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho.

Com 26 anos, já era casado com a militante comunista Zora Seljjan. Não era filiado ao partido, mas militava ativamente na Aliança Nacional Libertadora. Depois de se envolver em um caso amoroso impossível decidiu mudar de cidade e de emprego.

Quando o cronista mudou-se para Porto Alegre, o Brasil vivia a ditadura do governo de Getúlio Vargas e o mundo preparava-se para entrar na guerra. Ao por os pés em Porto Alegre, foi preso por suas crônicas sobre o regime. Graças à pronta intervenção de Breno Caldas, dono do Correio do Povo e da Folha da Tarde, logo foi solto.

Durante os quatro meses em que ficou em Porto Alegre, Rubem Braga publicou 91 crônicas na Folha da Tarde, que foram publicadas postumamente em “Uma Fada no Front" (1994). Os escritos mostram um cronista engajado contra a ditadura Vargas e o nazismo.

Na época, a luta política foi a nota dominante das crônicas da Folha. Por causa das muitas pressões da polícia e dos círculos palacianos do Estado, Braga teve que voltar ao Rio de Janeiro.

Em 1944, Rubem Braga foi para a Itália, durante a II Guerra Mundial, quando cobriu, como jornalista, as atividades da Força Expedicionária Brasileira. No início dos anos 50, se separou de Zora, que lhe deu um único filho Roberto Braga.

Rubem Braga foi sócio da "Editora Sabiá" e exerceu cargos de chefia do escritório comercial do Brasil no Chile, em 1955, e de embaixador no Marrocos, entre 1961 e 1963.

Características

Rubem Braga dedicou-se exclusivamente à crônica, que o tornou popular. Como cronista mostrava seu estilo irônico, lírico e extremamente bem humorado. Sabia também ser ácido e escrevia textos duros defendendo os seus pontos de vista. Fazia crítica social, denunciava injustiças, a falta de liberdade da imprensa e combatia governos autoritários.

Últimos anos

Rubem Braga adorava a vida ao ar livre, morava em um apartamento de cobertura, em Ipanema, onde mantinha um jardim completo, com pitangueiras, passarinhos, e tanques de peixes.

Nos últimos tempos, publicava suas crônicas aos sábados no jornal O Estado de São Paulo. Foram 62 anos de jornalismo e mais de 15 mil crônicas escritas, que reunia em seus livros.

Rubem Braga faleceu, no Rio de Janeiro, no dia 19 de dezembro de 1990.

Obras de Rubem Braga

  • O Morro do Isolamento (1944)
  • Um Pé de Milho (1948)
  • O Homem Rouco (1949)
  • A Borboleta Amarela (1956)
  • A Traição das Elegantes (1957)
  • Ai de Ti Copacabana (1960)
  • Recado de Primavera (1984)
  • Crônicas do Espírito Santo (1984)
  • O Verão e as Mulheres (1986)
  • As Boas Coisas da Vida (1988)

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

CYRO DOS ANJOS

 Cyro dos Anjos foi um escritor, jornalista, professor e funcionário público brasileiro. Foi considerado o romancista mais sutil e poético da geração literária de 30. O romance “O Amanuense Belmiro” (1937) figura na lista dos melhores textos da ficção do século XX.



Cyro Versiani dos Anjos, conhecido como Cyro dos Anjos, nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, no dia 5 de outubro de 1906. Passou a infância na cidade natal, fazendo os estudos de forma irregular enquanto auxiliava o pai e os irmãos no comércio da família. Em 1923, foi para Belo Horizonte. Em 1927 iniciou-se no jornalismo e no ano seguinte matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, concluído o curso em 1932.

Em 1928, ainda estudante, trabalhou nos jornais: Diário da Tarde, Diário do Comércio, Diário da Manhã, na Tribuna e no Diário de Minas, e ingressou no funcionalismo público. Já formado, teve rápida passagem no foro de Monte Carlos, porém não se adaptou à profissão e retornou para Belo Horizonte, retomando o jornalismo e ao cargo de funcionário público.

Cyro dos Anjos estreou na literatura com a publicação do romance “O Amanuense Belmiro” (1937), escrito em forma de diário, em linguagem cuidada, em tom de lirismo e certa melancolia, com leve toque de humor e o aprofundamento psicológico. Em 1945 publicou “Abdias” romance no mesmo processo, de forma ainda mais perfeita.

Cyro dos Anjos ocupou altos cargos públicos na esfera estadual, foi oficial de gabinete do secretário de finanças, oficial de gabinete do governador, diretor da Imprensa Oficial, membro do Conselho Administrativo do Estado e presidente do mesmo Conselho. Lecionou Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, entre 1940 e 1946. Em 1946 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde voltou a exercer funções públicas, agora na administração federal.

Durante o governo de do Presidente Eurico Gaspar Dutra, Cyro ocupou as funções de assessor do Ministro da Justiça, Diretor do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), chegando a presidente do mesmo Instituto em 1947. Em 1952, a convite do Itamarati, ministrou um curso de Estudos Brasileiros na Universidade do México e em seguida na Universidade de Lisboa. Nessa cidade, publicou o ensaio “A Criação Literária” (1954).

Em 1956, publicou “Montanha”, romance político, onde tentou apresentar um painel da atualidade brasileira. Entre os anos de 1957 e 1960 foi nomeado subchefe da Casa Civil do Governo Kubitschek. A partir de 1960 passou a residir em Brasília, quando assumiu a função de conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Foi um dos fundadores da Universidade de Brasília (1962), passando a ser professor da universidade e coordenador do Instituto de Letras.

Em 1963, publicou “Exploração no Tempo” volume de crônicas memorialistas, um desenvolvimento da obra de mesmo nome, já publicada anteriormente. Publicou ainda “Poemas Coronários” (1964). No dia 1º de abril de 1969, foi eleito para a Cadeira n.º 24 da Academia Brasileira de Letras.

Cyro dos Anjos aposentou-se em 1976 e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a ministrar um curso denominado “Oficina Literária”, na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Cyro dos Anjos faleceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 4 de agosto de 1994.

sábado, 30 de setembro de 2023

SERGIO PORTO - STANISLAW PONTE PRETA

Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto, foi um escritor, cronista, jornalista e radialista brasileiro. Marcou presença na literatura nacional com a publicação de livros de paródia e humor, com crônicas satíricas e corrosivas, e com a criação de diversos personagens, entre eles, “A Velha Contrabandista” e “Tia Zulmira”.



Stanislaw Ponte Petra nasceu no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 11 de janeiro de 1923. Filho de Américo Pereira da Silva Porto e de Dulce Julieta Rangel Porto foi registrado com o nome de Sérgio Marcus Rangel Porto. Foi uma criança alegre e despertou cedo sua vocação para o humor e desenvolveu a arte de dar apelidos e fazer imitações.

Sérgio Porto ingressou na Faculdade de Arquitetura até o terceiro ano, quando abandonou o curso para começar a trabalhar no Banco do Brasil, em 1942, onde permaneceu durante quinze anos.

Carreira jornalística

Ainda bancário, Sérgio Porto iniciou sua carreira jornalística fazendo um pouco de tudo, inclusive reportagem policial e comentário esportivo.

Em 1949 começou a escrever para a revista Sombra. Em 1951 passou para o Diário Carioca, onde começou a usar o pseudônimo “Stanislaw Ponte Preta”, inspirando-se no nome de um personagem satírico de Oswald de Andrade – o Serafim Ponte Grande.

Inicialmente, fazia uma mistura de crítica teatral e crônica social, mas depois se dedicou apenas à crônica da vida artística. Em 1952 casou-se com Dirce Pimentel Araújo, com quem teve três filhas. Em 1953 transferiu-se para o jornal Tribuna da Imprensa.

Grande apreciador da Música Popular Brasileira e do Jazz escreveu “Pequena História do Jazz”, publicado em Cadernos de Cultura do Ministério da Educação.

Em 1954 começou a escrever na Última Hora, iniciando-se no estilo satírico, com seu constante bom humor e sua vocação para se divertir. Nesse mesmo ano, começou a trabalhar na rádio Mayrink Veiga, onde permaneceu durante oito anos.

Em 1956, em parceria com Nestor de Holanda, Sttanislaw escreveu a revista teatral “TV para Crer”. No ano seguinte colaborou com o Diário da Noite e com O Jornal, voltando depois para a Última Hora.

Com Luís Iglesias editou a revista teatral “Quem Comeu Foi Pai Adão”. Criou vários shows para a televisão, entre eles, a célebre eleição das “Dez Mais Certinhas do Lalau”, numa paródia aos concursos das dez mais elegantes, promovidos por cronistas sociais. Todo ano ele escolhia dez das mais bonitas atrizes e vedetes do “teatro rebolado”.

Livros

Em 1958 lançou “O Homem ao Lado”, primeiro livro de crônicas de “Sérgio Porto”. Em 1961 publicou “Tia Zulmira e Eu”, o primeiro livro de “Stanislaw Ponte Preta”, que reúne crônicas selecionadas de vários jornais e revistas.

Ainda como Stanislaw, publicou: “Primo Altamirando e Elas” (1962), “Rosamundo e os Outros” (1963) e a “Casa Demolida”, uma ampliação e reedição do livro O Homem ao Lado.

Em 1966 Stanislaw escreveu argumentos dos episódios do filme “As Cariocas”. Escreveu “Febeapá – Festival de Besteira que Assola o País”, crônicas dedicadas, segundo o autor, aos abusos cometidos pela “redentora”, nome que ele deu ao golpe militar de 1964. Em 1967 escreveu “Febeapá nº 2”.

Em 1968 escreve seu último livro “Na Terra do Crioulo Doido”. Nesse mesmo ano, foi vítima de um envenenamento em seu café, no intervalo do “Show do Crioulo Doido”, apresentado no teatro Ginástico, baseado no sucesso do “Samba do Crioulo Doido”, uma sátira aos enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro. Logo após o incidente teve seu terceiro enfarte.

Stanislaw Ponte Preta faleceu no Rio de Janeiro, no dia 30 de setembro de 1968.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

ZÉLIA GATTAI

 Zélia Gattai foi uma escritora brasileira. Começou a escrever com 63 anos. Estreou na literatura com o livro de memórias "Anarquistas Graças a Deus". Recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária. Viveu com o escritor Jorge Amado durante 56 anos. Em 2001, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira n.º 23, a mesma que pertenceu a Jorge Amado.



Zélia Gattai nasceu em São Paulo, no dia 2 de julho de 1916. Filha de Ernesto Gattai e Angelina, imigrantes italianos, passou sua infância e adolescência no bairro do Paraíso.

Participava junto com a família do movimento político-operário organizado por imigrantes italianos, espanhóis e portugueses, que reivindicavam melhorias no trabalho.

Zélia Gattai casou-se aos dezenove anos com Aldo Veiga. Em 1942, nasceu seu primeiro filho, Luís Carlos. O casal separou-se depois de oito anos de casados.

Zélia Gattai e Jorge Amado

Em 1945, Zélia conheceu Jorge Amado quando ambos trabalhavam no movimento pela anistia dos presos políticos.

Com pouco tempo foram morar juntos, ainda não havia divórcio e os dois eram separados. Zélia passou a trabalhar com Jorge, revisando e datilografando os originais de seus livros.

Em 1945, com a eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 25 de novembro de 1947, nasceu João Jorge o primeiro filho do casal e o segundo filho de Zélia.

Exílio

Em 1948, o Partido Comunista foi declarado ilegal e os parlamentares eleitos pelo PCB foram cassados. Jorge Amado perdeu o mandato e teve que se exilar. Foi para Europa e Zélia seguiu depois, com o filho pequeno. Chegou à Itália, no porto de Gênova, onde Jorge a esperava.

Depois de alguns dias, Zélia e Jorge seguem para a Tchecoslováquia, depois vão para a Polônia e por fim chegam a Paris. No final do ano vão para a União Soviética (URSS).

Em 1949, estavam de volta à Paris quando Zélia ingressou na Sorbonne, onde estudou Civilização Francesa, Fonética e Língua Francesa.

Em fins desse mesmo ano, foram obrigados a deixar Paris, pois os comunistas não eram bem vistos pelo governo francês, então voltaram para a Tchecoslováquia.

Em 1951, nasceu sua filha Paloma. Viajaram ainda para a Hungria, Romênia, Bulgária, China e Mongólia.

A volta ao Brasil

De volta ao Brasil, em 1952, passam a morar no Rio de Janeiro, onde permanecem alguns anos.

Decididos a viver numa cidade mais pacata, em 1960, Zélia e Jorge compram uma casa em Salvador, Bahia, no bairro do Rio Vermelho.

No dia 12 de maio de 1976, depois de vários anos de união, eles conseguiram oficializar o casamento.

Anarquistas Graças a Deus

Em 1979, depois de três anos do casamento, Zélia Gattai estreou na literatura com o livro de memórias "Anarquistas Graças a Deus”, onde narra sua infância de filha de imigrantes italianos, anarquistas e católicos.O livro foi traduzido para diversos países, sendo adaptado para o teatro e para uma minissérie de televisão. Zélia recebeu pelo livro o Prêmio Paulista de Revelação Literária de 1979.

Zélia, que assinou seu livro com o nome de solteira, tomou gosto e três anos depois já lançava o segundo livro e não parou mais. Alguns de seus livros foram traduzidos para vários países.

Zélia Gattai viveu durante 56 anos com o escritor Jorge Amado, que faleceu em 6 de agosto de 2001. Nesse mesmo ano, foi eleita pra a cadeira n.º 23, que pertenceu a Jorge Amado, da Academia Brasileira de Letras. Foi também eleita para a Academia de Letras da Bahia.

Zélia Gattai Amado de Faria faleceu em Salvador, Bahia, no dia 17 de maio de 2008.

Prêmios e homenagens

  • Prêmio Paulista de Revelação Literária (1979)
  • Cidadã de Salvador (1984)
  • Cidadã de Honra da Comuna de Mirabeau, França (1985)
  • Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal (1986)
  • Medalha Castro Alves da Secretaria de Educação do Estado da Bahia (1987)
  • Comendadora da Ordem do Mérito da Bahia (1994)
  • Comendadora da Ordem das Artes e das Letras do Governo Francês (1998)

Obras de Zélia Gattai

  • Anarquistas Graças a Deus, memórias, 1979
  • Um Chapéu para Viagem, memórias, 1982
  • Pássaros Noturnos de Abaeté, 1983
  • Senhora Dona do Baile, memórias, 1984
  • Jardim de Inverno, memórias, 1988
  • Pipistrelo das Mil Cores, literatura infantil, 1989
  • O Segredo da Rua 18, literatura infantil, 1991
  • Chão de Meninos, memórias, 1992
  • Crônica de Uma Namorada, romance, 1995
  • A Casa do Rio Vermelho, memórias, 1999
  • Cittá di Roma, memórias, 2000
  • Joana e a Sereia, literatura infantil, 2000
  • Códigos de Família, memórias, 2001
  • Um Baiano Romântico e Sensual, 2002
  • Memorial do Amor, memórias, 2004
  • Vacina de Sapo e Outras Lembranças, 2006

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

FERNANDO SABINO

Fernando Sabino foi um escritor, jornalista e editor brasileiro. Recebeu diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Jabuti pelo livro "O Grande Mentecapto" e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. Foi condecorado com a Ordem do Rio Branco, no grau de Grã-Cruz, pelo governo brasileiro.



Fernando Tavares Sabino nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, no dia 12 de outubro de 1923. Em 1930, após aprender a ler com a mãe, ingressou no Grupo Escolar Afonso Pena. Fez o curso secundário no Ginásio Mineiro. Ao final do curso conquistou a medalha de ouro como o primeiro aluno da turma.

Jornalista e contista

Em 1936, Fernando Sabino teve seu primeiro conto policial publicado na revista "Argus", da Secretaria de Segurança de Minas Gerais. Em 1938, ajudou a fundar um jornal "A Inúbia", no Ginásio Mineiro.

Fernando Sabino começou a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos nas revistas "Alterosas" e "Belo Horizonte". Em 1941 iniciou o curso superior na Faculdade de Direito de Minas Gerais.

Nesse mesmo ano reuniu seus primeiros contos no livro Os Grilos não Cantam Mais. Colaborou com o jornal literário do Rio, "Dom Casmurro", com a revista "Vamos Ler" e com o "Anuário Brasileiro de Literatura".

Fernando Sabino formou um grupo inseparável com os também escritores mineiros, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Rezende.

Funcionário público e professor

Em 1942, Fernando Sabino foi admitido como funcionário da Secretaria de Finanças de Minas Gerais. Lecionou Português no Instituto Padre Machado. e foi nomeado oficial de gabinete do secretário de agricultura.

Fernando Sabino fez estágio de três meses como aspirante no Quartel de Cavalaria de Juiz de Fora, período que serviria de inspiração para hilariantes episódios no livro O Grande Mentecapto.

Em 1944, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se firmou como colaborador de diversos jornais. Em 1946 formou-se em Direito e embarcou com Vinícius de Moraes para os Estados Unidos.

Instalado em Nova York, trabalhou no Escritório Comercial do Brasil e depois no Consulado Brasileiro. Em 1947, enviou crônicas de Nova York para os jornais "Diário Carioca" e "O Jornal", do Rio, que foram transcritas por diversos jornais do resto do país. Realizou uma série de entrevistas com Salvador Dali e faz reportagem sobre Lasar Segall.

Em 1948, Fernando Sabino voltou ao Brasil e assumiu o cargo de escrivão da Vara de Órfãos e Sucessões. Em 1949, colaborou com diversos jornais e com a revista "Manchete".

Encontro Marcado

Em 1956, Fernando Sabino publicou o romance O Encontro Marcado, um grande sucesso de crítica e de público, além de fazer adaptações teatrais no Rio e em São Paulo. Em 1959 compareceu ao lançamento do livro, em Lisboa. Em 1962 o livro foi publicado na Alemanha.

Encontro Marcado é uma narrativa longa que conta a história de um jovem em desesperada procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida. A obra leva o leitor a passear pelas ruas de Belo Horizonte conhecendo um pouco das gerações que por elas passaram e marcaram a cidade.

É uma história da adolescência e juventude, dos prazeres fugidos, desespero, cinismo, desencanto, melancolia e tédio que se acumulam no espírito do jovem escritor Eduardo Marciano, um homem que amadurece em um mundo, desorientado.

O jovem caminha pela procura incessante da felicidade e pelo desejo profundo de encontrar respostas para a grande pergunta sobre a existência de Deus.

Editor, roteirista e Adido Cultural

Em 1960 Fernando Sabino foi para Cuba, como correspondente do Jornal do Brasil. Faz reportagem sobre a revolução cubana.

Com o livro A Revolução dos Jovens Iluminados, inaugurou a "Editora do Autor", fundada em sociedade com Rubem Braga e Walter Acosta. 

Em 1964, durante o governo João Goulart, foi contratado para exercer as funções de Adido Cultural junto à Embaixada do Brasil em Londres. Em 1965 se desfaz da sociedade e fundou a Editora Sabiá.

Nesse período, escreveu o argumento, roteiro e diálogos do filme dirigido por Roberto Santos, de sua obra, O Homem Nu (1966)..

Fernando Sabino foi efetivado no cargo de redator do Serviço Público, da Biblioteca Nacional e mais tarde da Agência Nacional, cabendo-lhe a elaboração de textos para filmes de curta metragem. Em 1972 fundou a Bem-Te-Vi Filmes.

Em 1975, Fernando Sabino deixou o Jornal do Brasil, onde permaneceu por 15 anos. Iniciou, em 1977, a publicação de crônica semanal sob o título de "Dito e Feito" no jornal "O Globo". Sua colaboração se prolongou por 12 anos

Fernando Sabino faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 11 de outubro de 2004.

Prêmios

  • Em 1979, concluiu o romance O Grande Mentecapto, que havia iniciado há 33 anos. Recebei o Prêmio Jabuti pela obra.
  • Recebeu o Prêmio Golfinho de Ouro na categoria de Literatura, concedido pelos Conselhos Estaduais de Educação e Cultura do Rio de Janeiro.
  • Em 1985 foi condecorado com a Ordem do Rio Branco no grau de Grã-Cruz pelo governo brasileiro.
  • Em 1989 o filme O Grande Mentecapto foi premiado no Festival Internacional de Gramado.

Outras Obras de Fernando Sabino

  • O Menino no Espelho (1982, adotado em várias escolas do país);
  • A Faca de Dois Gumes (1985);
  • A Mulher do Vizinho (1988);
  • O Bom Ladrão (1991);
  • Zélia uma Paixão (1991);
  • A Nudez da Verdade (1994);
  • Com a Graça de Deus (1994).

quarta-feira, 18 de maio de 2022

O QUINHENTISMO

O Quinhentismo, no Brasil e em Portugal, designa uma importante fase da história da literatura desses países, apesar de ter se expressado de modo diferente em um e outro. No Brasil, designa o conjunto de textos e autores do período colonial, compreendendo os três primeiros séculos desde a conquista portuguesa. Dividido em duas vertentes, uma caracterizada pela ocorrência de textos de informação e outra pela ocorrência de textos de caráter catequizador, esse período inicial de germinação das letras no nascente território brasileiro é de fundamental importância para se conhecer a história do país e sua tradição literária.



Em relação a Portugal, o Quinhentismo manifestou-se em uma produção literária voltada à expressão clássica, ou seja, foram produzidas obras que retomaram temáticas e estéticas greco-latinas, aos moldes do que propunha o Renascimento.

Nos primeiros três séculos do Brasil, a vida social e, consequentemente, a esfera econômica e cultural desenvolveram-se em torno da relação entre a colônia e a metrópole. Essa relação deu-se de modo que a colônia fosse extremamente explorada pela metrópole, o que fez com que a preocupação imediata dos primeiros colonos, ou seja, habitantes do território, fosse ocupar a terra, explorar o pau-brasil, cultivar a cana-de-açúcar, extrair o ouro.

Essa postura exploratória foi determinante para que houvesse no território núcleos urbanos surgidos a partir dos ciclos de exploração dessas matérias-primas destinadas à metrópole europeia. Assim, formaram-se, no Brasil, ilhas sociais, mais precisamente as seguintes: Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Paralelamente à exploração econômica, que foi o centro propulsor desses núcleos, havia dentre seus habitantes aqueles que manifestaram, por meio da escrita, os primeiros ecos da literatura no Brasil, ou seja, as primeiras manifestações, embora tímidas, do pensamento da elite intelectual.

Características do Quinhentismo

As manifestações da literatura quinhentista podem ser divididas em dois grupos, os quais, apesar de traços comuns, têm características que os distinguem: 

 Literatura de informação já descrita

Literatura de formação ou de catequese

Paralelamente às obras de informação escritas por leigos viajantes que desbravavam a colônia, foram produzidas, também, obras de cunho pedagógico e moral, a chamada literatura de formação ou de catequese, produzida pelos missionários jesuítas. Vindos de Portugal, esses religiosos, que tinham a missão de catequizar os índios, deixaram cartas, tratados, crônicas e poemas, os quais se tornaram registros não só de uma prática religiosa de difusão do catolicismo, mas também registros de textos com um certo refinamento estético.

Principais obras e autores de textos de formação ou de catequese

Os autores mais significativos dessa vertente são os padres Manuel da Nóbrega, Fernão Cardim e José de Anchieta.

Manuel da Nóbrega (1517-1570)

Nasceu em Alijó, Portugal, e morreu no Rio de Janeiro. Chegou à Bahia em 29 de março de 1549 e participou da primeira missa celebrada nessa localidade. Foi um dos fundadores das cidades de Salvador e do Rio de Janeiro.

Nas cartas que escreveu a Portugal, encontra-se a descrição do início do povoamento das terras brasileiras. Além disso, como catequizador, seus escritos contribuíram para o estudo dos costumes da sociedade indígena tupinambá. Em sua primeira carta do Brasil, ao padre Simão Rodrigues, provincial em Portugal, expressa uma postura típica dos jesuítas a respeito da conversão do indígena e a tentativa de eliminar de sua cultura certos hábitos, como o canibalismo e a poligamia

Sua principal obra é Diálogos sobre a Conversão do Gentio (possivelmente de 1558), em que apresenta os aspectos “negativos” e “positivos” do índio, do ponto de vista, evidentemente, de alguém interessado na conversão dos povos originais ao catolicismo.

Fernão Cardim (1549-1625)

Nasceu em Viana do Alentejo, Portugal, e morreu na Bahia, nos arredores da cidade de Salvador. Os três tratados que escreveu foram condensados pela primeira vez na obra Tratado da Terra e da Gente do Brasil, publicada em 1939.

Os dois primeiros textos de sua autoria, Do clima e terra do Brasil e Do princípio e origem dos índios do Brasil, foram publicados inicialmente em inglês, na coleção dirigida por Samuel Purchas, em Londres, em 1623. O terceiro texto, a Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuítica, foi publicado em 1847, em Lisboa, por Francisco Adolfo de Varnhagen. Há, nessas obras, o predomínio de uma descrição entusiasmada da fauna e da flora do país, segundo ele:

José de Anchieta (1534-1597)

Nasceu nas Ilhas Canárias, Espanha, e faleceu na cidade de Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Estado do Espírito Santo. No Brasil, participou da fundação da cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Notabilizou-se, no período colonial, como poeta e dramaturgo, mas também publicou crônicas históricas e uma gramática da língua tupi, a Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil (1595). Na dramaturgia, publicou autos inspirados nos autos do escritor português Gil Vicente, como o auto Na festa de São Lourenço, encenado pela primeira vez em 1583. Quanto à linguagem, observa-se nesses autos ora o uso da língua portuguesa, ora o uso da língua tupi.

Apesar de o teor religioso, destinado à edificação do índio e do branco, permear sua obra poética, assim como permeou suas outras obras, nota-se em seus poemas um cuidado estético mais acentuado. 

Quinhentismo ou Classicismo em Portugal

Quinhentismo ou Classicismo é como se nomeia o conjunto de obras literárias produzidas durante o Renascimento, movimento artístico, literário e científico inspirado na cultura greco-latina que vigorou na Europa no século XVI.

Indo ao encontro do que ocorria na história naquele momento, marcado por profundas transformações sociais, econômicas, culturais e religiosas, o Classicismo promoveu a substituição da fé medieval pelo culto à racionalidade, o cristianismo pela mitologia greco-latina e, sobretudo, elevou o homem à centralidade de tudo (antropocentrismo).

Principais autores e obras

Francisco de Sá de Miranda (1481-1558)

Pioneiro do Classicismo/Quinhentismo em Portugal, Sá de Miranda nasceu em Coimbra e morreu em Amares, interior do território português. Sua importância na história literária de seu país está, principalmente, no fato de ter introduzido o verso decassílabo em Portugal, ou seja, o verso caracterizado por ter dez sílabas métricas. Também foi pioneiro na composição de sextinas, tercetos e oitavas, influenciando muitos poetas daquele contexto.  Além de composições poéticas várias, escreveu a tragédia Cleópatra, as comédias Estrangeiros e Vilhalpandos, além de cartas em verso, sendo a mais famosa a que dirigiu ao rei D. João III.

Luís Vaz de Camões (1525-1580)

Camões é um símbolo muito forte do Classicismo europeu. Mais importante escritor de língua portuguesa, Camões legou à cultura ocidental o famoso poema épico Os Lusíadas, obra publicada em 1572. Narram-se, nesse clássico da literatura, os feitos heroicos dos portugueses, os quais, nos séculos XIV e XV, lançaram-se em alto-mar. Cheia de referências à mitologia greco-latina, essa obra é o ponto alto do Classicismo. Camões também fez poemas líricos.