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terça-feira, 2 de julho de 2024

NOITE DAS FACAS LONGAS OU NOITE DOS PUNHAIS

 A Noite dos Longos Punhais foi o nome dado a uma ação de expurgo interno ao partido nazista, ocorrida na noite do dia 30 de junho para 01 de julho de 1934. O objetivo era minar o fortalecimento dos chefes da SA, Sturmabteilung, a Tropa de Assalto dos nazistas, formada ainda na década de 1920, que tinha com principal líder Ernst Röhm.



As SA cumpriram importante papel para os nazistas no combate aos opositores políticos e comunistas. As SA foram se fortalecendo ao longo dos anos, tornando-se a principal força militar nazista. As SA chegaram a contar com cerca de dois milhões e meio de membros em 1934. Além disso, elas pretendiam ser o futuro embrião do exército nazista.

Essa pretensão gerou problemas a Hitler. O próprio presidente tinha preocupações com a possibilidade das SA se tornarem um exército, submetendo o exército alemão ao seu jugo. As brigas de rua organizadas pela SA proporcionavam ainda problemas na ordem pública das cidades alemãs. No plano interno do partido nazista, as posturas de Röhm e seus seguidores poderiam ainda colocar em questão a autoridade máxima de Hitler. Por fim, Röhm era homossexual, o que contrariava as práticas aceitas pelos nazistas.

Esses fatores levaram Hitler a utilizar a SS, Schutzstaffel, ou Tropa de Proteção, e a Gestapo, a polícia política, para prender e executar os líderes da SA. As ações ocorreram principalmente em Munique, na Baviera. Hitler havia se deslocado pessoalmente à cidade para dar as ordens de prisão, realizando essa ação pessoalmente com Röhm. Inúmeros outros líderes foram presos e, posteriormente, executados. O expurgo não se limitou aos membros da SA, atingindo também social-democratas e comunistas.

A máquina de propaganda nazista serviu ainda para apresentar o fato como uma reação de Hitler a um suposto golpe de Estado dos SA contra o Führer. O evento foi apresentado como o putsch de Röhm, colocando o chefe dos SA na cabeça de uma conspiração militar. A partir daí o que restou das SA ficou submetido às SS.

Entretanto, havia uma disputa entre a SA e a SS no comando militar das forças nazistas. Heinrich Himmler era o principal líder das SS e colocava-se ainda em uma corrente mística do nazismo, ligando a ideologia da raça ariana a preceitos religiosos, cujo símbolo era gravado inclusive com caracteres únicos. A SS seria responsável também pela administração dos campos de concentração e pelo extermínio judeu.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

ATAQUE A PEARL HARBOR

  ataque a Pearl Harbor foi realizado de surpresa pela Marinha Japonesa, no dia 7 de dezembro de 1941, contra essa base norte-americana localizada no Havaí. Essa ofensiva foi responsável pela entrada dos americanos na Segunda Guerra Mundial e pelo início do conflito entre Estados Unidos e Japão, só encerrado em setembro de 1945.


Após a Restauração Meiji, o Japão, que historicamente foi um país fechado a qualquer tipo de influência estrangeira, realizou uma grande abertura de fronteiras, modernizou sua economia e iniciou um rápido processo de industrialização durante a segunda metade do século XIX. Durante esse processo de modernização, surgiu no Japão um forte discurso nacionalista que visava defender os valores e os interesses internos, ao mesmo tempo em que manifestava um culto à personalidade do imperador.
À medida que as mudanças políticas e econômicas aconteciam, uma verdadeira doutrinação da população era realizada, e os interesses do Japão, que, a princípio, ligavam-se a assuntos internos, foram progressivamente expandidos para as regiões próximas, surgindo, assim, um forte impulso imperialista sobre as nações vizinhas, principalmente a China. A vitória japonesa na Guerra russo-japonesa (1904-1905) somente fortaleceu esse discurso nacionalista e imperialista, o qual prosperou durante o reinado de Hirohito e foi fundamental para o Japão lançar-se na Segunda Guerra Mundial.
Rivalidade com os Estados Unidos
A rivalidade do Japão com os Estados Unidos remontava ao final da Primeira Guerra Mundial, em que japoneses viram seus interesses imperialistas, principalmente sobre a China, barrados por pressão internacional dos norte-americanos. Durante a década de 1920, apareceram os primeiros discursos no Japão contra os Estados Unidos.
Em um clima de forte doutrinação nacionalista, essas expressões de rivalidade logo encontraram terreno fértil para multiplicar-se. Assim, após iniciada a Segunda Guerra, a pressão para que o Japão atacasse os Estados Unidos era muito grande, principalmente por causa dos embargos econômicos impostos pelos norte-americanos a partir de 1941. Somente poucos membros do exército e marinha do Japão eram contrários a um ataque. 
Uma vez expressa a ordem para o plano de ataque aos Estados Unidos, o responsável por elaborá-lo, o almirante Yamamoto, sabia que seria necessária uma investida eficaz, de maneira a neutralizar o inimigo e evitar represálias. Yamamoto era um dos que defendiam uma saída diplomática para o conflito e argumentava que os Estados Unidos possuíam recursos ilimitados para manutenção da guerra, o que tornava impossível ao Japão resistir a longo prazo no confronto – previsão que se mostrou acertada no futuro.
As forças japonesas, compostas por seis porta-aviões e mais de 400 navios, pegaram a frota norte-americana desprevenida, e o ataque à base americana de Pearl Harbor foi um verdadeiro massacre que resultou em mais de 2 mil mortos e em cinco encouraçados afundados e muitos outros danificados do lado norte-americano. Apesar do considerável estrago, esse ataque foi considerado um fracasso, pois não neutralizou o inimigo, apenas retardou a reação das forças norte-americanas. O poder naval dos Estados Unidos era tão grande que:
na semana seguinte ao ataque, os estaleiros americanos lançaram treze navios de guerra e nove navios mercantes, arautos de uma vasta armada em construção, a entrar em atividade nos dois anos seguintes. O país estava produzindo quinze encouraçados, onze porta-aviões, 54 cruzadores, 193 contratorpedeiros e 73 submarinos.
A resposta dos Estados Unidos foi imediata com a declaração de guerra divulgada no dia 8 de dezembro de 1941. Esse conflito estendeu-se por quase quatro anos e gerou milhares de mortes e uma destruição muito grande ao Japão, que saiu derrotado em 1945.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

JULGAMENTO DE NUREMBERG

 Logo após a Segunda Guerra Mundial, um tribunal se reuniu em Nuremberg, na Alemanha, com o objetivo de julgar os crimes cometidos pelos nazistas durante a guerra. 



De 1945 a 1949, o Tribunal de Nuremberg julgou 199 homens, sendo 21 deles líderes nazistas. As acusações foram desde crimes contra o direito internacional até de terem provocado de forma deliberada a Segunda Guerra Mundial.

A criação desse tribunal se deu através de um acordo firmado entre os representantes da ex-União Soviética, dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da França, em Londres, em 1945. 

Dentre os réus julgados e condenados estava o braço direito de Adolf Hitler, Hermann Goering. Durante o julgamento a defesa de Goering alegou ofensa ao princípio da legalidade, que era baseada nos postulados do direito penal tradicional. Mas de nada adiantou, pois Goering foi condenado à morte, no entanto, este cometeu suicídio na prisão com uma cápsula de cianeto.


segunda-feira, 13 de setembro de 2021

O CALVINISMO

 O movimento reformista ganhou força em diferentes partes de uma Europa em intensa transformação. Na Suíça, a burguesia tinha grande influência nas cidades-república de Genebra, Zurique, Basiléia e Berna. No entanto, o poderio econômico dessa nova classe social era tolhido pelos poderes políticos preservados nas mãos dos clérigos que administravam esses mesmos centros urbanos.



Foi nesse contexto que, no início do século XVI, o padre Huldrych Zwingli começou a se aproximar das ideias defendidas por Martinho Lutero. Durante sua vida, o padre humanista teve grande atuação entre os populares que sofreram com o surto de peste bubônica que assolou as ruas de Zurique. Essa experiência vivida pelo clérigo o alertou para a reforma do Catolicismo defendendo um tipo de experiência religiosa mais simples e atuante.

Por iniciativa própria, Zwingli se envolveu em um movimento reformista que defendia a predestinação absoluta e criticava a confissão religiosa nas igrejas. No ano de 1531, Zwingli tentou aproximar sua nova perspectiva religiosa dos grupos conservadores da Suíça. Sua tentativa de mudança criou uma guerra civil que provocou a morte do líder religioso. Mesmo sendo morto, seu esforço resultou na assinatura da Paz de Kappel, que permitiu a liberdade religiosa no interior da Suíça.

A onda reformista atingiu a Suíça como um todo. Na cidade de Genebra, os habitantes conseguiram destituir o poder político dos nobres e clérigos. Nessa mesma cidade, o teólogo francês João Calvino (1509 – 1564) empreendeu uma nova compreensão dos princípios religiosos defendidos por Martinho Lutero. Na obra “Instituições da religião cristã”, Calvino defendeu diversos princípios do pensamento luterano e reforçou a Teoria da Predestinação Absoluta.

Entre outras ideias, o pensamento calvinista defendia princípios morais bastante rígidos e via no trabalho e na poupança duas virtudes a serem valorizadas pelo verdadeiro cristão. A valorização do trabalho e a contenção dos lucros foram princípios que atraiam vários representantes da burguesia suíça. Em pouco tempo, Calvino conseguiu uma vertiginosa ascensão política e religiosa que o concedeu o controle da nova Igreja e do governo suíço.

Segundo os pesquisadores da temática religiosa, as ideias do calvinismo foram de suma importância para que o sistema capitalista se desenvolvesse. A ideia de trabalho árduo e acúmulo de capitais, rechaçados por essa nova denominação, impulsionaram o desenvolvimento dos negócios e dos novos empreendimentos comerciais. Nesse mesmo período, o calvinismo ganhou força na Inglaterra, na Escócia, na Holanda e na França.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

IDADE DOS METAIS

 A Idade dos Metais corresponde ao último período da Pré-História, em 6 mil a.C., quando os primeiros humanos descobriram os metais e começaram a utilizá-los no seu cotidiano, produzindo objetos e fabricando armas.



 Essa última fase pré-histórica marca a transição para as primeiras civilizações que surgiram na Antiguidade oriental e é dividida em três fases, cada uma marcada por um diferente tipo de metal utilizado:

  • Idade do Ferro;

  • Idade do Bronze; e

  • Idade do Cobre.

A produção artística foi beneficiada pelo uso dos metais, por meio da confecção de armaduras e espadas utilizadas em guerras.

Por ser a última fase da Pré-História, a Idade dos Metais herdou as contribuições das fases anteriores, principalmente do Neolítico, que tantas transformações vivenciou. O surgimento da agricultura propiciou a sedentarização dos hominídeos, ou seja, eles deixaram de se deslocar de uma região para outra e começaram a morar em um único lugar. Além disso, o surgimento e o controle do fogo contribuíram também para o uso dos metais.

A Idade dos Metais foi marcada pelo surgimento das primeiras cidades. A produção agrícola aumentou e, consequentemente, a população. Os metais começaram a ocupar espaço como instrumento de trabalho dos hominídeos, e o fogo, além de aquecer, iluminar a noite e assar os alimentos, passou a fundir os metais e a ajudar na fabricação de armas e outros objetos. As atividades do dia a dia se tornaram mais eficientes.

Outra característica da Idade dos Metais foi o surgimento do artesão. Esse trabalhador era responsável por utilizar os metais na produção de artefatos. Era uma atividade especializada e que exigia qualificação.

Ao longo do tempo e com o desenvolvimento dos primeiros grupos humanos, as relações sociais se tornaram mais complexas e a divisão do trabalho era feita a partir das mudanças ocorridas nesse último período da Pré-História. Não era apenas um aglomerado urbano que usava os metais, e sim vários grupos, o que resultou no aumento de guerras entre povos e cidades.

As disputas por terras férteis para a prática da agricultura e as rivalidades entre grupos fizeram com que conflitos acontecessem com mais frequência. Nesse contexto, em vez de armas fabricadas com ossos e dentes de animais, optou-se pelo uso de armas de metal.

sábado, 29 de maio de 2021

O IMPÉRIO BIZANTINO

 O Império Bizantino, que também ficou conhecido como Império Romano do Oriente, foi uma das organizações políticas mais importantes e duradouras do mundo antigo e medieval, já que durou de 395 a 1453 d.C. 



A história do império bizantino começou com a fundação da cidade de Constantinopla sobre o que havia sido até então Bizâncio – uma antiga colônia grega, fundada em 657 a.C. O fundador de Constantinopla, Constantino, o Grande, filho de Constâncio Cloro, foi aclamado um dos imperadores romanos em julho de 306 d.C., após a morte de seu pai, Constâncio Cloro.


Divisão do Império Romano e guerras civis
Nessa época, toda a extensão do Império Romano estava vulnerável ao ataque de bárbaros do Norte e também de povos do Oriente, como a dinastia sassânida da Pérsia.
No ano de 285, o imperador Diocleciano dividiu o império em duas partes, a oriental e a ocidental. Cada parte passaria a ser governada por duas autoridades, um Augustus e um Caesar (sucessor automático do primeiro), tendo o império, portanto, quatro chefes de Estado. Constâncio Cloro era um dos césares e governava as regiões da Hispânia, Gália e Britânia. Quando um césar morria, sucedia-o geralmente o herdeiro de sangue. Foi o que ocorreu em 306, com Constantino ascendendo ao poder na parte Ocidental.

Entretanto, o então Augustus da mesma parte, Maxêncio, declarou-se único imperador, desautorizando Constantino. Isso levou à primeira leva de guerras civis que marcaria os anos seguintes. Constantino venceu Maxêncio em outubro de 312, na batalha de Mílvio. Foi nessa ocasião que os soldados de Constantino apareceram com o símbolo da cruz e das letras gregas “Chi” e “Rô” (iniciais de Christos) em seus escudos. O uso desses símbolos nessa batalha tem a ver com o famoso sonho que Constantino teria tido, no qual Cristo apareceu a ele e lhe disse que com aquele sinal (a Cruz) ele venceria. O fato é que o jovem césar venceu e apossou-se da cidade de Roma. 

No ano seguinte, publicou o Édito de Milão, que declarava oficialmente a tolerância a qualquer credo religioso – uma forma de inibir qualquer perseguição aos cristãos.

O lado oriental do Império, a essa altura, havia sido unificado pelo cunhado de Constantino, Licínio. Todavia, já em 314 os dois imperadores tiveram seu primeiro conflito, do qual Constantino saiu com importantes vantagens, como a posse de regiões como a Macedônia e a Grécia. As rusgas entre um e outro imperador duraram dez anos até que, em 324, Constantino subjugou definitivamente Licínio na Batalha de Crisópolis.


Constantinopla, a “Nova Roma”

Com a vitória sobre Licínio, Constantino conseguiu novamente reunificar as duas partes do Império Romano, divididas por Diocleciano. Mas, apesar de teoricamente dar continuidade ao legado tradicional latino (incluindo seus aspectos culturais e institucionais), Constantino anunciava também elementos novos. O principal desses elementos era a fundação de uma nova capital imperial no Oriente.

A fundação de uma nova capital tinha um papel estratégico, já que havia uma pressão enorme das hordas de bárbaros sobre a velha Roma, e outras cidades do Ocidente também poderiam ser alvos fáceis desses ataques. Mas, havia também um elemento de inauguração de uma nova era. A cidade escolhida foi Bizâncio, onde confluíam as tradições intelectuais helenísticas – em que o grego era o idioma principal – e as tradições institucionais romanas. Além disso, estar situada na Anatólia (Ásia Menor), um dos berços da expansão cristã primitiva, fazia de Bizâncio um lugar para dar seguimento a uma espécie de “política cristã” com os bispos da Igreja – que já possuíam autoridade intelectual e espiritual bastante forte à época.

Bizâncio foi, de 326 a 331, inteiramente reformada e preparada para ser a “nova Roma”. Ao fim dessa preparação, foi renomeada, passando a se chamar Constantinopla, em homenagem ao imperador.

Constantino faleceu em 337. Sucedeu-o seu filho, Constantino II, e a este se seguiram mais seis imperadores até a ascensão de Teodósio I, que finalmente tornou o Cristianismo a religião oficial do Império Bizantino por meio de um decreto, em 380. Em 391, o paganismo foi completamente proibido nas extensões do Império Romano. Com a morte de Teodósio, em 395, o Império foi novamente dividido. Seus dois filhos, Arcádio e Honório, ficaram cada um com uma parte, a Oriental e a Ocidental, respectivamente.


Desenvolvimento do Império Bizantino

Nos séculos seguintes, o Império Bizantino, concentrado apenas na parte oriental dos antigos domínios romanos, acabou por desenvolver alguns elementos que lhe seriam característicos e o distinguiriam da tradição ocidental. Entre esses elementos, estavam: 1) a oficialização da língua grega em detrimento do latim; e 2) o cesaropapismo, isto é, a convergência do poder político e do poder espiritual na pessoa do imperador.

Entre os grandes imperadores que o Império Bizantino teve, Justiniano foi um dos mais célebres. Foi esse imperador que, durante o século VI, confrontou os persas sassânidas a Oeste, conseguindo retomar pontos importantes do império; lutou contra a heresia ariana (que tinha muita força política dentre do império), ergueu o templo da Hagia (SantaSofia – até hoje de pé, na atual Istambul; solidificou as instituições imperiais, entre outros pontos.

O Império Bizantino também entrou em diversos conflitos com os cristãos ocidentais – como foi o caso da Quarta Cruzada – e contra os muçulmanos, que passaram a empreender uma agressiva expansão a partir do século VII. Foram esses últimos que, em 1453, sob o comando do sultão Mehmet II, conseguiram subjugar Constantinopla e dar fim ao Império Bizantino.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

O CONCÍLIO DE NICEIA

O concílio de Niceia foi o primeiro Concílio Ecumênico realizado pela Igreja Católica. Ele ocorreu entre 20 de maio e 25 de julho de 325 d.C., na cidade de Niceia da Bitínia, atual cidade Iznik (Turquia), província de Anatólia (Ásia Menor), localizada próxima à Constantinopla.



O concílio de Niceia foi realizado com o intuito de harmonizar a Igreja ao concretizar uma assembleia que representasse toda a cristandade, de modo a discutir as heresias que poderiam dividir a Igreja.

Principais causas

Devido à grande liberdade religiosa possibilitada pelo fim das perseguições aos cristãos, a fé cristã cresceu e se propagou desordenadamente.

Neste contexto, Caio Flávio Valério Constâncio (250-306), o imperador romano que governava tanto o Oriente como o Ocidente, acabou adotando o arianismo, uma crença herética, como sua religião pessoal.

Segundo esta tese, Jesus Cristo Salvador estaria subordinado ao Pai, uma vez que era apenas mais uma criação, o que acabava por questionar a figura de Cristo enquanto divindade.

Por sua vez, esta vertente cristã criada por Ário (256-336), da igreja de Alexandria, em 318, estava em desacordo com o próprio bispo Alexandre de Alexandria.

Como os adeptos de Ário possuíam influência junto ao imperador Constantino (filho de Constâncio), com destaque para Eusébio de Nicomédia e, principalmente, o historiador e bispo Eusébio de Cesaréia (265-339), esta disputa foi se agravando ao ponto de tornar-se motivo para uma divisão na Igreja.

Assim, o bispo Alexandre de Alexandria e seu diácono Atanásio, repudiaram suas teses e afirmaram a divindade de Cristo. 

Além disso, a data em que se deveria comemorar a Páscoa, outro motivo de discórdia, também foi definida neste concílio, sendo escolhido o primeiro domingo depois da primeira lua cheia da primavera para a celebração.

Vale ressaltar que o Imperador Flavius Valerius Constantinus (285 -337 d.C.), ao conclamar o concílio, buscava unir seu Império Romano pela via religiosa, sobretudo depois de sua vitória sobre Licínio (250-325) em 324.

Principais características

O Concílio de Niceia foi realizado nas acomodações do palácio imperial naquela cidade, onde foram oferecidas aos bispos hospedagem e passagem segura pela escolta imperial.

Interessado, o imperador Constantino de fato realizou o Concílio, contudo, não participou das formulações de fé do Credo de Niceia.

Compareceram cerca de 320 Bispos, além de inúmeros presbíteros, diáconos e leigos, dirigidos pelo bispo Ósio de Córdoba (257-359), para definir a natureza de Cristo diante do arianismo.

Estes clérigos vieram de toda cristandade, incluindo Ásia Menor, Palestina, Egito, Síria, com predomínio aos bispos do Oriente.

Como resultado do Concílio, foi definido por 300 votos que o arianismo seria rejeitado e que a “Redenção” pregada pelo diácono Atanásio seria a base constituinte do que e convencionou como o “Credo de Niceia", confirmando a união da cristandade e a divindade de Cristo, o que foi corroborado no "Concílio de Constantinopla" de 381.

Em suma, o Credo Niceno estabelece 20 cânones que discutem, dentre outros, a questão ariana, a data de celebração da Páscoa e o batismo de heréticos.

domingo, 10 de janeiro de 2021

TRATADO DE VERSALHES

O Tratado de Versalhes teve como característica o revanchismo francês, a redefinição de fronteiras, o estabelecimento de indenizações e a criação da Liga das Nações. Na Alemanha, onde as mais pesadas sanções do Tratado de Versalhes foram instituídas, a economia viveu em franca decadência, e os índices inflacionários alcançaram valores exorbitantes. Esse contexto de declínio e degradação acabou criando chances para que Itália e Alemanha fossem dominadas por regimes marcados pelo nacionalismo extremo e a franca expansão militar.



Tratado de Versalhes foi assinado no dia 28 de junho de 1919 e ficou conhecido por ser o principal dos tratados de paz assinados após a Primeira Guerra Mundial. Esse documento foi subscrito pelas potências que formavam a Tríplice Entente e pela Alemanha. Foi considerado pelos historiadores como a “paz dos vencedores”, uma vez que as nações que venceram o conflito impuseram termos duríssimos à Alemanha.

O Tratado de Versalhes foi um dos acordos de paz assinados com o fim da Primeira Guerra Mundial. Esse conflito estendeu-se de 1914 a 1918 e foi o primeiro grande embate que marcou a história da humanidade. 

Essa guerra foi resultado de disputas causadas pelo imperialismo e por rivalidades motivadas pelo revanchismo e nacionalismo. O fortalecimento das rivalidades e tensões na Europa no começo do século XX motivou as nações a formarem alianças militares e a investirem na produção de armamentos.

As negociações, que duraram seis meses, envolveram 70 delegados de 27 nações dentre as quais o Brasil. Ficou de fora das transações o país derrotado, a Alemanha. A Rússia não participou, pois havia firmado o Tratado de Brest-Litovsk com a Alemanha em 1918.

Sob os auspícios do presidente norte americano Woodrow Wilson, do primeiro-ministro britânico David Lloyd George e do primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, o Tratado de Versalhes foi concluído em 28 de junho de 1919.

Apesar de ser um dos principais negociadores do Tratado, o Congresso dos Estados Unidos não ratificou o documento e nem aderiram à Liga das Nações.

Deste modo, os Eetados Unidos preferiram fazer um acordo bilateral com os alemães pelo Tratado de Berlim de 1921.

Ficou estabelecido que a Alemanha deveria fornecer anualmente:

  • sete milhões de toneladas de carvão à França;
  • oito milhões de toneladas de carvão à Bélgica.

Vale ressaltar que, em 1921, o valor em indenizações a ser pago pela Alemanha pelos prejuízos da Guerra, foram calculados em 33 bilhões de dólares ou 269 bilhões de marcos.

Depois, eles foram reduzidos para 132 bilhões de marcos, sem computar os valores a serem restituídos a titulo de pensões às viúvas e outros afetados pelo conflito, a maior parte na França.

Esta imposição levou a economia alemã a amargar uma crise econômica que durou toda a década de 1920.

Além disso, a Alemanha perdeu 13% de seu território na Europa e, assim, 7 milhões de cidadãos. Foi determinado que:

  • a região de Alsácia-Lorena seria restituída à França;
  • a Sonderjutlândia passaria à Dinamarca;
  • regiões da Prússia, como Posen, Soldau, Vármia e Masúria seriam incorporadas pela Polônia;
  • Hlučínsko passou à Checoslováquia;
  • Eupen e Malmedy tornam-se territórios da Bélgica;
  • a província do Sarre seria controlada pela Liga das Nações por 15 anos.

As colônias alemãs que representavam mais 70.000 Km2, distribuídos entre África, Ásia e Pacífico, também foram atingidas. As colônias na África foram divididas entre Inglaterra, Bélgica e França.

Em termos militares, foi determinado o desarmamento do povo alemão, a abolição do serviço militar obrigatório e a redução do exército para cem mil soldados voluntários.

Para impedir o desenvolvimento da indústria bélica na Alemanha, se proibiu a fabricação de tanques e armamentos de grosso calibre. Seguindo a mesma linha, a margem esquerda do rio Reno deveria ser desmilitarizada.

Na mesma medida, a Marinha poderia ser composta por até 15 mil marinheiros e a aeronáutica alemã foi declarada extinta. Muitos navios foram entregues aos vencedores.

Foram extintas as Escolas Militares e associações paramilitares. Este foi um duro golpe numa nação que havia feito da vida militar uma das suas marcas principais.

Meses depois, através do Tratado de Saint-Germain-en-Laye, a Áustria também foi obrigada a reduzir seus efetivos militares a 30.000 homens

Os ministros alemães Hermann Müller (Exterior) e Johannes Bell (Transportes) assinaram o documento em nome da República de Weimar. Mais tarde, o Tratado de Versalhes seria ratificado pela Liga das Nações em 10 de janeiro de 1920.

Em suma, este tratado possui dimensões políticas, econômicas e militares extremamente punitivas e os seus 440 artigos são uma verdadeira condenação à Alemanha.

Apesar de encerrar oficialmente a guerra, esta convenção foi responsável, ao menos indiretamente, pela queda da República de Weimar (que substituiu o império alemão destituído). Igualmente, pela ascensão de Adolf Hitler e do partido nazista em 1933.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

O QUE FOI A PRIMAVERA ÁRABE?

 Primavera Árabe caracterizou uma série de protestos e revoltas ocorrida nos países de língua árabe a partir do final de 2010, em que a população de diferentes lugares foi às ruas com diferentes objetivos, que giraram em torno da derrubada de ditadores, da realização de eleições e da melhoria das condições de vida. Trata-se de um dos principais eventos desse início de século e deflagra a grande instabilidade política existente na região.



Podemos dizer que tudo começou na Tunísia, quando um jovem teve sua banca de frutas e legumes confiscada pela polícia e ateou fogo em seu próprio corpo em protesto às condições de vida a que era submetido. É claro que a revolta no país não foi ocorrida somente por isso, uma vez que esse evento foi somente a “gota d'água”, pois a população estava profundamente insatisfeita com os rumos político-sociais do país e clamava por democracia, exigindo o fim da ditadura de Zine El Abidine Ben Ali, que se encontrava no poder há 23 anos.

Os protestos exigindo a realização de eleições diretas não duraram muito. O início aconteceu em dezembro de 2010 e o término ocorreu no mês seguinte, com a renúncia do ditador, que não ofereceu grandes resistências. Essa rápida reviravolta no país, que passou a ser chamada de Revolução de Jasmim, foi vista e admirada pela população dos países vizinhos que passavam pelas mesmas problemáticas dos tunisianos: governos ineficientes, ditatoriais e que não promoviam esforços para a melhoria das condições de vida do povo. Logo, a onda de protestos espalhou-se como um rápido vírus por todo o norte da África e em boa parte do Oriente Médio.

Em pouco menos de um mês após a derrubada de Ben Ali na Tunísia, foi a vez de Hosni Mubarak, no Egito, também deixar o cargo em função das revoltas populares que exigiam o fim de seu posto no comando do país que ocupara durante 30 anos: era a chamada Revolução de Lótus. A Primavera Árabe expandia-se.

O caso do Egito, porém, reverberou em um novo descontentamento. Isso porque o novo presidente eleito, Mohamed Morsi foi, dois anos mais tarde, alvo de novos protestos no país. Com isso, em julho de 2013, sob a ação do exército egípcio, o governante sofreu aquilo que acusou ter sido um golpe militar.

Na Líbia, em 2011, a Primavera Árabe não tardou chegar. No entanto, esse país foi o primeiro em que as revoltas envolveram uma guerrilha e muito derramamento de sangue. Buscando o fim do regime de Muamar Kadhafi, que permaneceu no poder durante 42 anos, os rebeldes pegaram em armas para combater a resistência organizada pelas tropas leais ao governo.

Com o estabelecimento de um conflito generalizado no país, as potências ocidentais organizaram-se através da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a fim de derrubar o ditador da Líbia e conseguirem uma maior influência em uma região em que se produz muito petróleo para exportação. No final, os rebeldes conseguiram assassinar Kadhafi e dar fim ao regime.

Outro país que merece destaque em relação à hostilidade do governo frente aos protestos é o Barein, representado pela figura do Rei xeque Hamad bin Isa al-Khalifa. Esse país, diferentemente da Líbia, possui um grande apoio dos países ocidentais, com destaque para os Estados Unidos. Com isso, mesmo com a dura repressão contra os rebeldes e com vários crimes aos direitos humanos, esse país não sofreu nenhum tipo de intervenção militar estrangeira, fato que fez com que parte da comunidade internacional questionasse a postura da OTAN nas zonas de instabilidade política na região árabe.

Com a proibição das manifestações, a oposição xiita – que forma a maioria no país, mas que é amplamente discriminada pela minoria sunita – foi perdendo gradativamente a força, embora o governo tenha sinalizado algumas ações de flexibilização do poder a fim de estabelecer alguns acordos.

Síria, por sua vez, é o país onde os conflitos mais se estenderam, demarcando uma longa agonia na região. Isso porque a oposição sunita, influenciada pela eclosão das revoltas no Egito e na Tunísia, também procurou ascender ao poder por meio de uma revolta armada, duramente reprimida pelas tropas do ditador Bashar al-Assad (no poder desde 2000). Além do conflito armado, esse episódio mexeu também com o plano geopolítico internacional.

Nos países vizinhos, Turquia, Iraque, Líbano, Arábia Saudita e, parcialmente, Israel concedem apoio aos rebeldes, pois consideram o regime do ditador xiita sírio como uma ameaça local às suas soberanias. O Irã, por outro lado, vem apoiando o governo do país, uma vez que esse é um importante aliado político. Além do mais, a derrocada do governo de Assad poderia representar uma ameaça à estabilidade política iraniana.

Externamente, as potências ocidentais, com destaque para os EUA, declararam apoio à oposição no país, fornecendo armas e suprimentos, com a clara intenção de derrubar mais um inimigo político na região. Os norte-americanos chegaram inclusive a planejar uma intervenção militar, com o pretexto de o governo sírio estar usando armas químicas, o que é considerado um crime de guerra. No entanto, Rússia e China opuseram-se incisivamente a essa ação, o que gerou uma crise política sem precedentes desde a Guerra Fria. Com isso, acordos foram realizados e a intervenção militar estadunidense, enfim, não ocorreu. O conflito segue ainda sem solução.

Além desses casos principais, a Primavera Árabe atingiu também outros países, como MarrocosIêmenArgéliaOmã e, em menor grau, Arábia Saudita e Jordânia. Em alguns locais, eleições e reformas ocorreram; em outros, os protestos foram estrategicamente contidos. De toda forma, é preciso considerar que a situação da região do Oriente Médio e do Norte da África deflagra, cada vez mais, a impossibilidade de se manter a paz e a harmonia em espaços marcados pelo imperialismo e pela dominação das minorias sobre as massas.

sábado, 22 de agosto de 2020

PERÍODO NEOLÍTICO

 Neolítico é uma divisão cronológica da chamada Pré-História da Humanidade, compreendida entre 10.000 a.C. e 4.000 a.C. Neolítico significa “pedra nova” ou ainda Idade da Pedra Polida.


Tais denominações indicam que as divisões nesse período da existência humana foram feitas a partir do desenvolvimento de artefatos produzidos pelos homens, bem como pelo desenvolvimento de algumas práticas referentes à sua ação sobre a natureza.

O fato de utilizarem artefatos construídos a partir de pedras polidas dava maior precisão ao corte dos instrumentos de caça, pesca e também de utilização cotidiana. A maior parte dos artefatos era feita de sílex ou quartzo, mas também de ossos de animais e marfim, chegando ao final do período ao desenvolvimento de artefatos de metal.

Além do tipo de artefato, o que geralmente é utilizado como marco divisório entre o Neolítico e o Paleolítico, o período antecedente, é a chamada Revolução Agrícola. Tal revolução não teria ocorrido rapidamente, como é comum pensar quando se refere ao termo revolução.

A Revolução Agrícola do Neolítico teria sido um longo processo de desenvolvimento da agricultura por parte das pessoas que viveram nessa época. Essa revolução compreendeu a capacidade de perceber os fenômenos naturais, elaborando teorias iniciais de causa/efeito, principalmente a partir da observação de alguns fenômenos, como a germinação.

Não houve também uma mudança brusca de passagem da fase caça/coleta para a agricultura, havendo uma simultaneidade entre ambas as práticas. Mas, uma das principais mudanças da Revolução Agrícola do Neolítico foi o começo da sedentarização das pessoas em locais determinados para a espera do processo de produção dos alimentos, compreendendo o preparo do solo, a semeadura e a colheita.

Os impactos nas organizações sociais ocorreram principalmente na divisão do trabalho, de acordo com os sexos e com a necessidade de guardar os alimentos, o que ocasionou o desenvolvimento da cerâmica e da domesticação dos animais. Embriões de organizações de clãs, as grandes famílias, surgiram no período.

Habitações foram sendo construídas próximas umas às outras para auxiliar na defesa contra grupos humanos rivais. Muros e cercas de proteção foram criados, sendo ainda desenvolvidas técnicas mais avançadas de agricultura, aumentando aos poucos os excedentes agrícolas. Seleções de espécies vegetais e animais foram também realizadas, o que auxiliou o aumento populacional. Novos meios de transportes também foram desenvolvidos, como barcos, jangadas e botes, o que possibilitava a pesca em rios, lagos e mares.

Por volta de 6.000 e 5.000 a.C., o metal começou a ser empregado em algumas aldeias. Inicialmente, passou-se a produzir o cobre e posteriormente o ferro. Com isso, desenvolveu-se uma rústica prática de siderurgia, impulsionando o desenvolvimento da prática do artesanato e a facilitação da prática da agricultura. A defesa contra grupos opositores também ganhou força com as novas armas desenvolvidas a partir dos metais.

Não há como estipular uma data precisa para o fim do Neolítico, já que muitas das caraterísticas do período até tempos recentes ainda eram verificadas. Mesmo a adoção da escrita como possível marco divisor gera controvérsias, pois coloca a invenção da escrita como uma causa de mudanças socioeconômicas, quando possivelmente teria sido uma consequência de longos processos históricos.