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sexta-feira, 11 de agosto de 2023

O QUE É HIP HOP?

O termo Hip Hop, numa tradução literal, significa saltar e movimentar os quadris (to hip e to hop, em inglês). Este movimento foi criado em 1968, pelo DJ Afrika Bambaataa, para nomear os encontros dos DJs, MCs (mestre de cerimônia) com os dançarinos de break nas festas de rua no bairro do Bronx, em Nova York. Bambaataa pretendia com esse movimento encontrar uma forma eficiente e pacífica de expressar os sentimentos de revolta e de exclusão, diminuindo as brigas de gangues nos guetos e, conseqüentemente, o clima de violência que imperava nas periferias americanas (HERSCHMANN, 2000).



No final dos anos de 1960, Nova York passou por um rigoroso processo de renovação urbana. As autoridades executaram diversas obras como rodovias, parques e projetos residenciais, que modificaram significativamente o perfil da cidade.

Robert Moses, legendário planejador urbano, começou a implantação, em 1959, da Cross-Bronx-Expressway, um projeto que cortaria ao meio o centro da área mais habitada pela classe operária no Bronx. Embora pudesse ter modificado a estrada para evitar o desaparecimento de comunidades residenciais densamente povoadas por trabalhadores, na grande maioria, negros e hispânicos, ele elegeu um caminho que iria requerer a demolição de milhares de edifícios residenciais e comerciais. Ao nomear essas velhas casas de operários como “favelas”, a primeira tarefa de Moses foi promover um programa de liquidação dessas residências, forçando o deslocamento de 170 mil pessoas. A administração municipal, que acreditou ser a via expressa de Moses um sinal de progresso e modernização, não se viu à vontade para admitir a devastação que ocorreu.

Como muitos dos projetos públicos, a via Cross-Bronx-Expressway sustentou os interesses da classe alta contra os interesses dos menos favorecidos e intensificou o desenvolvimento da vasta desigualdade econômica e social que caracteriza, até hoje, Nova York. Aos moradores negros e hispânicos que foram deslocados para o South Bronx sobraram poucos recursos municipais, uma liderança fragmentada e um poder político limitado. Para os exilados no South Bronx restou construir alternativas criativas e agressivas para expressar seus descontentamentos com o poder público.

O novo grupo étnico que fez do South Bronx sua casa, construiu uma rede cultural própria, que pode se mostrar alegre e compreensiva, na era da alta tecnologia. Negros norte-americanos, jamaicanos, porto-riquenhos e outros povos do Caribe, reformularam suas identidades culturais e suas expressões em um espaço urbano hostil.

Além desta alavanca progressista e exterminadora, em 1968, os Estados Unidos passava por um período complicado, já que começava a sofrer grandes derrotas na Guerra do Vietnã e os movimentos pacifistas contra a guerra e pelo cumprimento da lei dos Direitos Civis se radicalizavam (HERSCHMANN, 2000).

Ainda o assassinato de Martin Luther King, naquele ano, provocou uma onda de conflitos inter-raciais em mais de 130 cidades norte-americanas. Bambaata, que convivia com outros jovens nas ruas do Bronx durante esse período de reivindicações e protestos, propôs que as gangues trocassem os conflitos reais pelo embate artístico, dando origem às emblemáticas batalhas de break.

Em 1970, Bambaataa se associou ao projeto Bronx River, uma divisão de uma gangue de rua, a Black Spades, o que começou a revolucionar a maneira de divulgar o estilo que vinha criando: passou a organizar festas de rua para a comunidade do Bronx.

Nascia o movimento social chamado de: Movimento Hip Hop.   Este Movimento calcado na indignação dos jovens negros e hispânicos é formado pelo rap: a música e a poesia, o break: a expressão corporal por meio da dança, o grafite: o lado visual, o desenho e a pintura e o DJ (HERSCHMANN, 2000).

Segundo Garcia (2008), o Hip Hop é uma experiência artística que boa parte da juventude pobre e negra passou a vivenciar e produzir. No Brasil, a cultura Hip Hop contribuiu na ampliação do imaginário social juvenil a partir da década de 1990. Período em que o rap passou a ser um veículo de comunicação e diálogo entre jovens de diferentes países, culturas, raças, classes, gêneros etc..

Desta forma, com caráter político e o objetivo de promover a conscientização coletiva desde sua origem, o Movimento Hip Hop fez das ruas palco de muita arte e denúncia.

Dançarinos de break elaboraram suas danças nas esquinas junto a blocos de concretos e placas, fazendo das ruas teatros provisórios para juventude. Artistas grafitaram murais e emblemas nos trens, nos caminhões e nos parques reivindicando seus territórios e inscrevendo sua outra e contida identidade na propriedade pública (HERSCHMANN, 2000, p. 12).

Nesta mesma perspectiva, Rocha, Domenich e Casseano (2001) acrescentam que os rappers se apoderaram dos microfones e os usaram como se a amplificação fosse uma fonte de vida para aqueles que não tinham o mínimo de condição existencial.

O Hip Hop deu voz às tensões e às contradições no cenário público urbano, tornando-o funcional para a juventude negra excluída. Uma revolução pacífica, onde a principal arma foi à disseminação da palavra, mesmo sendo difícil manter um discurso consciente, pacifista, anti-drogas, vivendo em situações de extrema violência, tráfico e de puro desespero existencial. (Rocha; Domenich;  Casseano, 2001, p. 25).

Para Herschmann (1997), jovens nascidos na desorganização das sociedades pós-industriais metropolitanas identificam-se com o universo do break, do grafite e do rap, fazendo dessa produção cultural não só mais uma mercadoria comercializável, mas também uma forma de reivindicação de espaço sociocultural.

Sob uma outra ótica, Martins (2006) argumenta que a participação do jovem em zonas subculturais toma lugar não somente como ruptura, mas também como algo que é importante para si mesmo, para os quais esses jovens são preparados para dar energia, concentração, tempo e imaginação.  Além disso, a existência das subculturas juvenis acaba assumindo um papel social amplo, o que dá margem para novas leituras que podem levar a transgressão de códigos comportamentais, quebras de leis, consciência de classe, enfim buscam abrir caminho para se pensar uma nova normalização da sociedade.

Assim, o Hip Hop é um movimento que marca a presença de jovens que se agregam pelo sentimento de exclusão, e que elaboram um estilo de vida e uma forma de expressão artística que constrói um ponto de vista particular e bastante crítico sobre a sociedade contemporânea (QUEIROZ, 2003).

Mano Brown (2004), vocalista do grupo de rap Racionais MC´s, acredita que o Movimento Hip Hop tem um compromisso que vai além da música. Neste contexto, ele alerta sobre a responsabilidade daqueles que atuam neste Movimento: “temos um compromisso não somente com a música, mas também com a questão social, inclusive a de não incentivar em público o uso de qualquer droga, seja ela a pinga ou a maconha. Uma vez em cima do palco, você é um líder e pode influenciar muita gente”.

Portanto, percebe-se que, no Brasil, o Hip Hop cresceu, saindo da periferia e conquistando bairros nobres, ampliando seu sentido, como cultura e como arte, vinculadas à contestação, ou seja, como uma manifestação de inconformismo, tendo em vista que seu papel principal deve ser educar e conscientizar seus integrantes, despertando um espírito crítico sobre a realidade vivenciada por cada um.

domingo, 29 de março de 2020

CHIQUINHA GONZAGA

Chiquinha Gonzaga foi uma compositora, pianista e maestrina brasileira, a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Autora da primeira marchinha de carnaval "Ô Abre Alas".

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, conhecida como Chiquinha Gonzaga, nasceu no Rio de Janeiro no dia 17 de outubro de 1847. Filha de José Basileu Alves Gonzaga, primeiro-tenente, de família ilustre do Império, e Rosa Maria Neves Lima, mestiça, filha de uma escrava, uma relação rejeitada pela família de Basileu. Chiquinha recebeu a mesma educação dada às crianças burguesas da época. Estudou português, cálculo, francês e religião, com o Cônego Trindade, amigo da família. Desde criança mostrou interesse pela música. Foi aluna do Maestro Lobo. Com 11 anos estreou como compositora com uma cantiga de Natal, intitulada “Canção dos Pastores”.

Em 1863, com dezesseis anos, Chiquinha Gonzaga se casou com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Mercante, oito anos mais velho que ela. Ganhou de seu pai, um piano de presente de casamento. Chiquinha, com um gênio forte e decidido, continuou sua dedicação ao piano, compondo valsas e polcas, para desagrado do marido. Em 1864 nasceu seu filho João Gualberto e em 1865 nasceu Maria do Patrocínio.

Em 1865, Jacinto tornava-se sócio do Barão de Mauá para exploração do navio São Paulo, fretado pelo Governo, para o transporte de escravos, armas e soldados para a Guerra do Paraguai. Chiquinha foi obrigada a acompanhar o marido em algumas viagens. Insatisfeita com a situação de viajar reclusa em seu camarote, pois as ordens do marido era que ela não se envolvesse com música, Chiquinha resolveu então voltar com o filho para a casa de seus pais, onde havia ficado sua filha Maria. Não tendo apoio da família e descobrindo que está grávida voltou a viver com seu marido. Em 1867 nasce seu terceiro filho Hilário, mas o casamento durou pouco tempo.
Após a separação, a música voltou a fazer parte da vida de Chiquinha. Em pouco tempo, passaou a viver com o Engenheiro João Batista de Carvalho Júnior. Levando seu filho João Gualberto, o casal vai morar em uma fazenda em Minas Gerais. Em 24 de agosto de 1876 nascia Alice, filha do casal. Pouco depois descobriu a traição do marido e retornou para o Rio de Janeiro, com seu filho João Gualberto, deixando Alice com o pai, que a entregou a sua irmã, Henriqueta.

Chiquinha voltou a viver da música. Dava aulas de piano e obteve grande sucesso, compondo polcas, valsas, tangos e cançonetas. Ao mesmo tempo, juntou-se a um grupo de músicos de choro. Foi a necessidade de adaptar o som de seu piano ao gosto popular que lhe valeu a glória de se tornar a primeira compositora popular do país. O sucesso de Chiquinha Gonzaga foi em 1877, com a composição "Atraente", um animado choro. A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, Chiquinha resolveu se lançar no teatro de variedades, mesmo enfrentado no preconceito, mas finalmente iniciou sua carreira de maestrina com a revista "A Corte na Roça", de 1885. Sua música faz grande sucesso e Chiquinha recebeu vários convites de trabalho. Em 1897, todo o Brasil dançou sua estilização da dança rural corta-jaca, sob a forma de tango "Gaúcho". Sua carreira ganhou prestígio com a marcha-rancho "Ô Abre Alas", composta em 1899, a pedido dos componentes do cordão carnavalesco Rosa de Ouro: Ô abre alas! / Que eu quero passar (bis) / Eu sou da lira / Não posso negar (bis) / Ô abre alas! / Que eu quero passar (bis) / Rosa de Ouro / É que vai ganhar (bis).

Nesse mesmo ano, Chiquinha conheceu o músico português, João Batista Fernandes Lages, que vivia no Rio de Janeiro. Chiquinha com 52 anos e ele com apenas 16, começaram um relacionamento. Para não enfrentar o moralismo da época, Chiquinha registrou João Batista como seu filho.
A peça de teatro "Forrobodó", musicada por Chiquinha Gonzaga, que estreou em 1912, bateu um recorde de permanência em cartaz atingindo 1500 apresentações. As músicas foram cantadas por toda cidade. "Forrobodó" tornou-se o maior sucesso teatral de Chiquinha e um dos maiores do Teatro de Revista do Brasil.
Em 1934, aos 87 anos, Chiquinha Gonzaga escreveu seu último trabalho, a partitura da opereta "Maria". Como maestrina, atuou em 77 peças teatrais, tornando-se responsável por cerca de 2.000 composições. Foi cercada dessa glória que Chiquinha Gonzaga viveu em companhia de João Batista. Chiquinha Gonzaga batalhou para receber os direitos autorais, depois de encontrar em Berlim várias partituras suas, reproduzidas sem autorização. Foi a fundadora, sócia e patrona da SBAT - Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, ocupando a cadeira nº. 1.
Chiquinha Gonzaga faleceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de fevereiro de 1935.

quinta-feira, 5 de março de 2020

HEITOR VILLA -LOBOS

Heitor Villa-Lobos foi um maestro e compositor brasileiro, considerado um expoente da música erudita no Brasil. Suas peças são executadas no circuito dos mais prestigiados teatros europeus e americanos.

Heitor Villa-Lobos nasceu no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, no dia 5 de março de 1887. Filho de Raul Villa-Lobos, diretor da Biblioteca do Senado e músico amador, e da dona de casa Noêmia Monteiro, grandes incentivadores dos estudos do filho. Aprendeu com o pai a tocar violão e violoncelo.
Autodidata, com seis anos compôs a primeira peça para violão, baseada em cantigas de roda. Com oito anos começou seu interesse por Bach. Apreciava também os ritmos populares. Conheceu os ritmos nordestinos quando frequentava com o pai a casa de Alberto Brandão, onde se reuniam os cantadores nordestinos. Aprendeu clarinete e saxofone.
Com 12 anos ficou órfão de pai e a família enfrentou dificuldades financeiras. Para sustentar os oito filhos, sua mãe, acostumada à vida social, conseguiu um emprego para lavar e engomar as toalhas e guardanapos da Confeitaria Colombo.
Com 16 anos, Heitor foi morar com uma tia, que lhe ensinou a tocar piano. Encantado com os “chorões”, grupo malvisto pela nata da sociedade, frequentava o Cavaquinho de Ouro, loja de música onde os chorões recebiam convite para se apresentar em diversos lugares.

Em 1905, Villa-Lobos viajou para o Nordeste e extasiou-se com a riqueza do folclore. Em 1907 escreveu “Os Cantos Sertanejos”, para pequena orquestra.

Nessa época, buscando uma formação acadêmica, matriculou-se no curso de Harmonia de Frederico Nascimento, no Instituto Nacional de Música, mas não se adaptou à disciplina dos estudos. Passou a ganhar a vida tocando violoncelo, piano, violão e saxofone nos teatros e cinemas cariocas.
Heitor Villa-Lobos contrariou sua mãe quando entrou para a escola de música, pois o desejo dela era que ele entrasse para a faculdade de medicina.
Por volta de 1913, Villa-Lobos deu início à sua produção, já abordando os mais diversos gêneros musicais: "Suíte Floral Para Piano” (1914), “Danças Africanas” (1914), “Uirapuru” (1917) e “Canto do Cisne Negro Para Piano e Violoncelo” (1917), “Amazonas” (1917), entre outras. Realizou alguns recitais com suas obras, mas recebia crítica por suas inovações musicais.

Em 1922, Heitor Villa-Lobos fez sua estreia oficial na Semana de Arte Moderna, em São Paulo. Sua música moderna foi vaiada, mas o evento foi o início de sua projeção internacional como um criador original pela fusão dos ritmos folclóricos e populares com a música erudita. A crítica demorou a entender.

Na Semana de Arte Moderna, em São Paulo, Heitor Villa-Lobos se apresentou de casaca e chinelo, pois estava sofrendo com sintomas da “gota”.

Em 1923, com 36 anos, financiado pelo governo, desembarcou em Paris, para mostrar seu talento, retornando em 1924. Em 1927 voltou à Europa, financiado pelo milionário Carlos Guínle. Nessas viagens, apresentou concertos de suas obras regendo importantes orquestras pelo continente.
Um episódio turbulento da vida pessoal do maestro ocorreu em 1936, em uma viagem a Berlim, quando ele mandou uma carta desmanchando o casamento de 23 anos com a pianista Lucília Guimarães. Ele viajou em companhia de Arminda Neves d’Almeida, professora de música, então com 24 anos (quando ele tinha 46). A união com Arminda durou até sua morte.

O Trenzinho do Caipira

O auge da criatividade de Heitor Villa-Lobos se deu na década de 30, quando deu início à série das nove “Bachianas Brasileiras”, suítes para diversas combinações de instrumentos que expressam a afinidade entre Bach e procedimentos melódicos e harmônicos da música popular instrumental brasileira.
Em 1931, ao excursionar por 54 cidades do interior paulista, inspirou-se para compor “O Trenzinho do Caipira”, parte integrante da peça “Bachianas Brasileiras n.º 2”. A obra se caracteriza por imitar o movimento de uma locomotiva com os instrumentos da orquestra.

Durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), quando era obrigatório o ensino de música nas escolas, o maestro foi Secretário de Educação Musical e orientava os professores da rede pública sobre como ensinar música. Sob sua batuta, promovia apresentações de canto orfeônico que reunia estudantes em estádios de futebol.

Ressentido porque suas músicas eram pouco executadas no Brasil, Villa-Lobos costumava desabafar: “Não tive o justo reconhecimento em meu próprio país”. Depois da II Guerra, o maestro iniciou uma turnê pelos Estados Unidos e pela Europa, onde suas peças eram executadas no circuito dos mais prestigiados teatros.

Academia Brasileira de Música

Heitor Villa-Lobos fundou e foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Música. Era membro a Academia de Belas Artes de Nova Iorque. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Nova Iorque.
Villa-Lobos deixou mais de 700 composições, com destaque para as “Bachianas Brasileiras”, em número de nove, entre elas, a de n.º 4 para piano e a de n.º 5 para soprano e conjunto de violoncelos, como também os choros: "Choro n.º 2", "Choro n.º 5" e "Descobrimento do Brasil, 4 suítes".
Heitor Villa-Lobos faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de novembro de 1959.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

MILTON NASCIMENTO

Milton Nascimento é um cantor e compositor brasileiro, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira.

Milton Nascimento nasceu no Rio de Janeiro, no dia 26 de outubro de 1942. Ainda criança já mostrava interesse pela música. Com dois anos ficou órfão de mãe, passando a morar com a avó em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Com seis anos foi morar em Três Pontas com os pais adotivos, o bancário e professor de Matemática Josino Campos e a professora de Música Lília Campos.
Com 13 anos ganhou seu primeiro violão. Aos 15 anos, Milton criou com Wagner Tiso, seu amigo de infância, o grupo vocal Som Imaginário. Logo depois criaram o W’s Boys, com Milton, Wagner, e seus irmãos Wesley e Wanderley. O grupo se apresentava nos bailes da região.
Em 1963, Milton mudou-se para Belo Horizonte, para fazer o vestibular para Economia, mas a música predominou. Na época, formou com Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges e Fernando Brant, o Clube da Esquina. Em 1966 foi para São Paulo, mas estava difícil conseguir que suas músicas fossem gravadas. A sorte começou a mudar em setembro desse mesmo ano, quando conheceu Elis Regina, que gravou “Canção do Sal”, sua primeira música.
Em 1967, Milton Nascimento teve três músicas classificadas no Festival Internacional da Canção da TV Globo, que consagrou o cantor como o melhor intérprete, e a música “Travessia”, composta em parceria com Fernando Brant, conquistou o segundo lugar no festival. As outras duas canções classificadas foram “Maria, Minha Fé” e “Morro Velho” que ficou em sétimo lugar. Nesse mesmo ano lançou seu primeiro disco solo e realizou diversos shows. Em 1968, deu início à sua carreira internacional, excursionando pelos Estados Unidos, onde gravou o disco “Courage”. Em 1972 lançou, junto com Lô Borges, o álbum “Clube da Esquina”.
Com o sucesso, Milton gravou com Wayne Shorter e Sarah Vaughn e, em 1994, em “Angelus”, reuniu vários convidados internacionais, como o ex-vocalista do grupo inglês Yes, John Anderson. Com uma longa carreira, Milton lançou diversos álbuns e conquistou vários prêmios, entre eles, quatro Grammy. Seu nome esteve diversas vezes na lista dos melhores das publicações “Down Beat” e “Billboard”.
Entre suas músicas de sucesso estão: "Travessia" (1966), "Sentinela" (1969), "Clube da Esquina" (1970), "Cais" (1972), “Nada Será Como Antes” (1972), “Fé Cega, Faca Amolada” (1975), em parceria com Beto Guedes, "Ponta de Areia" (1975, “Maria, Maria” (1979), “Canção da América” (1980), “Caçador de Mim” (1981), “Coração de Estudante” (1983) e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor” (2002).
Em 2013, o cantor lançou o álbum “Uma Travessia, 50 anos de Carreira Ao Vivo”. Em 2015, Milton Nascimento lançou o CD “Tamarear”, junto com Dudu Lima Trio, uma homenagem aos 35 anos do Projeto Tamar, que trabalha na proteção das tartarugas marinhas.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

DORIVAL CAYMMI

Dorival Caymmi foi um cantor e compositor brasileiro que cantava os costumes e tradições da Bahia. Entre suas canções de sucesso estão "Samba da Minha Terra", "Marina", "Samba da Bahia", "O Dengo Que a Nega Tem" e "Saudade de Itapoã".

Dorival Caymmi nasceu em Salvador, Bahia, no dia 30 de abril de 1914. Era filho do funcionário público, Durval Henrique Caymmi, descendente de italianos, e de Aurelina Soares Caymmi, descendente de portugueses e africanos. Seu pai tocava piano, violão e bandolim. Desde menino, Dorival cantava no coro da igreja.

Dorival Caymmi interrompeu os estudos no primeiro ano ginasial. Tinha curso de inglês, datilografia e escrituração mercantil. Foi trabalhar como auxiliar de escritório e depois na revisão do jornal O Imparcial. Passou em segundo lugar no concurso para escrivão da Coletoria, mas não foi chamado.
Nessa época aprendeu a tocar violão sozinho, desenvolvendo um estilo pessoal, compôs sua primeira canção, a toada - "No Sertão" (1930). Mais tarde, venceu um concurso de músicas carnavalescas com “A Bahia Também dá”.

Em 1938, Caymmi deixou as praias, o sol e o sossego da Bahia e foi para o Rio de Janeiro tentar a sorte. Tinha facilidade para o desenho e a experiência no jornal, esperava encontrar trabalho na imprensa. O parente José Pitanga o apresentou ao desenhista Edgar de Almeida, da revista O Cruzeiro e Caymmi conseguiu um modesto trabalho.

Levado por Assis Valente e Lamartine Babo se apresenta na Rádio Nacional cantando “Noite de Temporal”, acompanhado do toque do berimbau. Em seguida, foi apresentado ao diretor da Rádio Tupi que o contratou. No dia 24 de junho de 1938, Caymmi estreou cantando o samba "O Que é Que a Baiana Tem?".
Dois meses depois, passava para a Rádio Transmissora e mais tarde foi levado por Almirante para a Rádio Nacional. Ao mesmo tempo, Caymmi começava a frequentar a roda dos músicos e de artistas plásticos.

Em 1939 Dorival Caymmi estava no auditório da Rádio Nacional para assistir um programa de calouros quando conhece Stella Maris, vencedora da prova. No dia 30 de abril de 1940, Caymmi completou 26 anos e casou-se com a mineira Stella Maris. O casal teve três filhos, que também seguiram a carreira musical: o cantor, compositor e arranjador Danilo Caymmi, o violonista e compositor Dori Caymmi e a cantora Nana Caymmi.

Para o carnaval de 1939, o produtor de cinema Wallace Downey preparava uma nova produção com Carmem Miranda. O título seria “Banana da Terra” (1938), assim, a música “O Que é Que a Baiana Tem?” entrou para o filme, na voz de Carmem Miranda, fazendo grande sucesso, a ponto de popularizar a palavra “balangandãs”.

Músicas

  • O Que é Que a Baiana Tem? (1939) contratado pela Odeon, este foi o primeiro disco de Caymmi, quando cantou o samba ao lado de Carmem Miranda;
  • O Mar (1940) foi a primeira gravação de Caymmi na gravadora Columbia: O mar/ quando quebra na praia/ é bonito... é bonito.(...);
  • Samba da Minha Terra (1940) uma das mais populares gravações de Caymmi, foi lançada pelo Bando da Lua, mas só depois de 20 anos foi revivida quando gravada pelo autor e pelo papa da bossa nova, João Gilberto, em 1961;
  • Marina (1947) com essa música, Caymmi estreia no gênero samba-canção, tendo sido gravada por Dick Farney: Marina, morena,/ Marina você se pintou./ Marina, você faça tudo,/ mas faça um favor:/ não pinte esse rosto que eu gosto,/ e que é só meu. (...);
  • Maracangalha  (1956) um dos sambas mais populares de Caymmi: Eu vou pra Maracangalha/ Eu vou/ Eu vou de liforme branco/ Eu vou./ Eu vou de chapéu de palha/ Eu vou. (...).
Em 1972, Dorival Caymmi foi condecorado com a Ordem do Mérito do Estado da Bahia. Nesse mesmo ano, lança o LP que trazia a canção "Oração da Mãe Menininha", homenagem à Menininha do Gantois, nos seus 50 anos de mãe de santo. Em 1975, Caymmi lança a música “Modinha para a Gabriela”, baseada no romance Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado. Posteriormente a música foi gravada por Gal Costa e foi tema da novela Gabriela exibida pela Rede Globo.

Com problemas cardíacos, Dorival Caymmi passou a se apresentar esporadicamente em shows ao lado dos filhos Dori, Nana e Danilo. Com 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, mas teve um grande número de versões de suas músicas feitas por outros intérpretes. Sua obra, considerada pequena é composta de um grande número de obras-primas.

Dorival Caymmi faleceu no Rio de Janeiro, no dia 16 de agosto de 2008.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

CARMEM MIRANDA

Maria do Carmo Miranda da Cunha, artisticamente conhecida como Carmen Miranda foi uma cantora, atriz e dançarina luso-brasileira. Com fama internacional, Carmen Miranda era chamada de “A Pequena Notável” e "Brazilian Bombshell" (brasileira sexy ou atraente).

Carmen Miranda, portuguesa de nascimento e brasileira de criação, foi a primeira mulher a assinar contrato com uma rádio no Brasil. Com seu estilo único e talento para a música e atuação, conquistou outros países, fixou morada nos Estados Unidos e chegou a ser a mulher mais bem paga de Hollywood, além de ser a primeira sul-americana com uma estrela na Calçada da Fama.

Infância e Adolescência

Carmen Miranda nasceu em 9 de fevereiro de 1909, em Canaveses, Portugal. Filha de José Maria Pinto da Cunha, um barbeiro, e de Maria Emília Miranda, veio para o Brasil com menos de um ano de idade.
Na adolescência, Carmen Miranda trabalhou em uma loja de chapelaria. A convivência com a vida agitada da Lapa, bairro do Rio de Janeiro, aproximou a adolescente da música e também influenciou nas suas referências estéticas futuras. Em 1929, Carmen foi apresentada ao compositor Josué de Barros, profissional que a inseriu em teatros e clubes.
A partir de 1930, Carmen Miranda entrou de vez no mundo da música, cantando na Rádio Sociedade. Logo seu disco foi lançado, e o seu sucesso veio com a marcha-canção Pra Você Gostar de Mim, mais conhecida como Taí, escrita por Joubert de Carvalho.
Sua carreira começou a ganhar novos ares ainda na mesma época, quando a cantora fez sua primeira turnê na Argentina, país ao qual retornou diversas vezes nos anos seguintes. Ao entrar para a Rádio Mayrink Veiga, Carmen Miranda tornou-se a primeira mulher a assinar um contrato com uma rádio brasileira.
Em 1936, Carmen Miranda ganhou as telonas com Alô, Alô, Carnaval, filme que proporcionou à cantora o dueto com sua irmã, Aurora Miranda, na conhecida cena da música Cantoras do Rádio. Ainda no mesmo ano, Carmen passou a fazer parte do Cassino da Urca, local que serviu como passaporte para carreira internacional em musicais.

Fantasia de baiana

A imagem amplamente ligada à Carmen Miranda é a sua fantasia de baiana. O vestuário foi adotado pela cantora e atriz em 1939, quando participou do filme Banana da Terra, longa em que Carmen fez uma de suas principais interpretações musicais com O que é que a baiana tem, de autoria de Dorival Caymmi.
A fantasia de baiana adotada por Carmen Miranda sofreu variações ao longo de sua carreira, mas sempre contou com brincos grandes (geralmente argolas) e um turbante repleto de frutas e flores, sapatos e sandálias com plataforma e roupas com babados. O vestuário fez muito sucesso pelo mundo e passou a ser utilizado como fantasia em diferentes festas, como o Carnaval.

A Pequena Notável

Carmen foi uma mulher considerada de baixa estatura, medindo 1,52 m de altura, mas que chamava a atenção por sua interpretação e sua caracterização, o que lhe rendeu o apelido de “a Pequena Notável”.

Principais músicas de Carmen Miranda

  • Pra você gostar de mim (Taí) (Joubert de Carvalho)
  • Balancê (Braguinha/Alberto Ribeiro)
  • O que é que a baiana tem (Dorival Caymmi)
  • Mamãe eu quero (Vicente Paiva e Jararaca)
  • Camisa listrada (Assis Valente)
  • Tico-tico no fubá (Miguel Lima/Zequinha de Abreu)
  • No tabuleiro da baiana (Ary Barroso)
  • Adeus batucada (Synval Silva)
  • O tic-tac do meu coração (Alcyr Pires Vermelho/Walfrido Silva)
  • Cachorro vira-lata (Alberto Ribeiro)
  • Touradas em Madrid (Braguinha/Alberto Ribeiro)
  • E o mundo não se acabou (Assis Valente)
  • Como vaes você (Ary Barroso)
  • Quando eu penso na Bahia (Ary Barroso)
  • Chica chica boom chic (Gordon Mack e Warren Harry) - música do filme Uma noite no Rio

Em meados da década de 1930, os Estados Unidos (EUA) buscaram aproximação com os países da América Latina como forma de evitar que esses países aliassem-se às tropas alemãs. Com o Brasil, o governo norte-americano utilizou a arte e financiamentos industriais para ganhar a simpatia do povo brasileiro e as autoridades locais.

Em ascensão nos EUA, Carmen Miranda viu sua fama crescer nesse período e tornou-se o elo de aproximação cultural do Brasil com os Estados Unidos, representando a música brasileira no território norte-americano.
A Pequena Notável teve sua figura diretamente ligada à chamada “Política da Boa Vizinhança”, fator que gerou desconfiança em uma parcela da população e permanece em discussão, inclusive no meio acadêmico, sobre sua influência na “americanização” do Brasil e responsabilidade pela difusão do estereótipo da “república das bananas”.
Principais Filmes de Carmen Miranda 
Carnaval cantado de 1932 (1932)
  • A voz do Carnaval (1933)
  • Alô, alô, Brasil (1935)
  • Estudantes (1935)
  • Alô, alô, Carnaval (1936)
  • Banana da Terra (1939)
  • Laranja da China (1940)
  • Serenata tropical (1940)
  • Uma noite no Rio (1941)
  • Aconteceu em Havana (1941)
  • Minha secretária brasileira (1942)
  • Entre a loira e a morena (1943)
  • Quatro moças num jipe (1944)
  • Serenata boêmia (1944)
  • Alegria, rapazes! (1944)
  • Sonhos de estrela (1945)
  • Se eu fosse feliz (1946)
  • Copacabana (1947)
  • O príncipe encantado (1948)
  • Romance carioca (1950)
  • Morrendo de medo (1953)
Carmen Miranda casou-se com o norte-americano David Sebastian, em 1947. David trabalhava em uma produtora de cinema e tornou-se empresário de Carmen após o casamento.
Biógrafos apontam David como influência para a dependência de Carmen Miranda no álcool, já que a cantora passou a beber em excesso durante o casamento conturbado com seu marido alcoólatra. Por sua rotina de compromissos profissionais, Carmen também passou a usar barbitúricos (remédios para insônia).

Com o vício em álcool e remédios, Carmen Miranda voltou ao Brasil para um período de desintoxicação, em 1954. No ano seguinte, a Pequena Notável voltou aos Estados Unidos melhor dos sintomas, mas ainda dependente da medicação.

Em 4 de agosto de 1955, Carmen Miranda fez sua última apresentação, uma gravação do The Jimmy Durante Show, seguida de uma festa em sua casa.
Carmen Miranda morreu na madrugada de 5 de agosto de 1955, aos 46 anos, vítima de um ataque cardíaco, em sua casa em Beverlly Hills (Los Angeles, EUA). A cantora foi velada na Califórnia e, posteriormente, transportada para o Rio de Janeiro para as despedidas dos fãs, amigos e familiares, sendo enterrada no Cemitério de São João Batista.

Em 1960, foi elaborada uma escultura em homenagem à Carmen Miranda para ser exposta no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro. Atualmente, a obra está exposta na rua que leva o nome da artista, na Ilha do Governador.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O REI DO BAIÃO LUIZ GONZAGA

Luiz Gonzaga foi um músico brasileiro. Sanfoneiro, cantor e compositor, recebeu o título de "Rei do Baião". Foi responsável pela valorização dos ritmos nordestinos, levou o baião, o xote e o xaxado, para todo o país. A música "Asa Branca" feita em parceria com Humberto Teixeira, gravada por Luiz Gonzaga no dia 3 de março de 1947, virou hino do Nordeste brasileiro.

Luiz Gonzaga nasceu na Fazenda Caiçara, em Exu, Sertão de Pernambuco, no dia 13 de dezembro de 1912. Filho de Januário José dos Santos, o mestre Januário, "sanfoneiro de 8 baixos" e Ana Batista de Jesus. O casal teve oito filhos. Luiz Gonzaga desde menino já pegava na enxada, mas preferia ficar olhando o pai tocar sua sanfona. Logo aprendeu a tocar e animar as festinhas da região. Cresceu ajudando o pai na roça e na sanfona, mas também fazia pequenos serviços para os fazendeiros da região.

Luiz Gonzaga era protegido do Coronel Manuel Aires de Alencar e de suas filhas e com elas aprendeu a ler, escrever e falar correto. Aos 13 anos, com o dinheiro que juntou e o emprestado pelo coronel, Luiz comprou sua primeira sanfona. O primeiro dinheiro que ganhou foi tocando em um casamento, ali sentiu que a música era seu destino.
Em 1929, com 17 anos, por causa de um namoro proibido pela família da moça e de uma surra que levou da mãe, Luiz fugiu para o mato. Mas, a fuga maior foi quando deixou a casa para uma festa no Crato, no Ceará. Luiz Gonzaga vendeu sua sanfona e foi para Fortaleza, onde buscou no Exército uma vida melhor. Com a Revolução de 30, viajou pelo país. Era o corneteiro da tropa. Em 1933, servindo em Minas Gerais, não entrou para a orquestra do quartel, pois não sabia a escala musical. Mandou fazer uma sanfona e decidiu ter aulas com Domingos Ambrósio, famoso sanfoneiro de Minas. Transferido para Ouro Fino, sul de Minas, tocou pela primeira vez em um clube.

Luiz Gonzaga no Rio de Janeiro

Em 1939, Luiz Gonzaga deixou o Exército, foram nove anos sem dar notícias à família. Enquanto esperava o navio para voltar para Pernambuco, Luiz ficou no Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro, quando um soldado o aconselhou a ganhar dinheiro tocando na cidade. Logo, Luiz estava tocando nos bares do Mangue, nas docas do porto, nas ruas em busca de trocados. Acabou sendo convidado a tocar nos cabarés da Lapa. Nessa época, seu repertório era o exigido pelo público: tangos, fados, valsas, foxtrotes etc.. Nesse ritmo fez sua primeira tentativa no rádio, em programa de calouros de Silvino Neto e Ari Barroso, mas sua nota não passava de 3.
Em 1940, um grupo de estudantes cearenses o aconselhou a tocar as músicas dos sanfoneiros do sertão nordestino. Ao participar do programa tocando “Vira e Mexe”, Luiz ganhou nota 5 e o prêmio de primeiro lugar. Certo dia, Luiz foi procurado por Januário França, para acompanhar Genésio Arruda numa gravação. Luiz se saiu tão bem que foi convidado pelo diretor artístico da RCA, Ernesto Morais, para gravar um disco. No dia 14 de março de 1941, Luiz gravou dois discos como solista de sanfona. No primeiro: a mazurca “Véspera de São João” e “Numa Seresta”. No segundo: “Saudade de São João del Rei” e “Vira e Mexe”, um chamego de sua autoria.
Durante cinco anos, Luiz Gonzaga gravou cerca de setenta músicas, das quais apenas 10 eram “chamegos”. Fez carreira no rádio e começou a luta para cantar e gravar as músicas nordestinas. Fez parceria com Miguel Lima, que colocava letras em suas músicas, mas só em 11 de abril de 1945 gravou seu primeiro disco como sanfoneiro e cantor com a música "Dança Mariquinha". Foi em busca de um parceiro nordestino e conhece o advogado cearense Humberto Teixeira, era o início de uma parceria que veio durar cinco anos e lançou músicas com versos simples, impregnado de modismos nordestinos. Sua música agora seria acompanhada de sanfona, triângulo e zabumba. Entre os sucessos da parceria, destacam-se: “Baião”, “Asa Branca”, “Kalu”, “Paraíba”, “Assum Preto” etc.

Asa Branca

A música “Asa Branca” foi um dos primeiros grandes sucessos nacionais de Luiz Gonzaga. O disco original foi lançado pela RCA, no dia 3 de março de 1947. Segundo Luiz Gonzaga, a música nasceu como toada, com raízes folclóricas. Com letra de Humberto Teixeira e música de Luiz Gonzaga, a música, retrata o sofrimento do povo do Sertão do Nordeste brasileiro diante da seca que assola a região. Asa Branca foi gravada por diversos cantores, entre eles, Dominguinhos, Sérgio Reis e Baden Pawell.

A Volta para sua terra natal

Depois de longos anos, Luiz Gonzaga voltou para sua terra natal. Foi ao Recife e se apresentou em vários programas de rádio. Em 1949 levou sua família para morar no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, voltou ao Recife, quando conhece uo médico Zé Dantas, que sabia cantarolar todas as suas músicas. Foi o início de uma parceria que lançou os sucessos: “Vem Morena”, “A Dança da Moda”, “Cintura Fina”, “A Volta da Asa Branca”.
Entre 1948 e 1954, Luiz Gonzaga morou em São Paulo, de onde viajava para todo o país. O seu sucesso não parou mais. Em 1980, Luiz Gonzaga cantou para o Papa João Paulo II, em Fortaleza. Convidado pela cantora amazonense Nazaré Pereira, se apresentou em Paris. Recebeu o prêmio Nipper de ouro e dois discos de ouro com "Sanfoneiro Macho".

Luiz Gonzaga teve um relacionamento com a cantora e dançarina Odaléia Guedes dos Santos. Em 1945, desse relacionamento, nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, que ficou órfão de mãe com dois anos de idade. Em 1948, Luiz Gonzaga casou-se com a pernambucana Helena Neves Cavalcanti e juntos adotaram a menina Rosa Gonzaga.

Luiz Gonzaga lutou durante seis anos contra um câncer de próstata. No dia 21 de junho de 1989, foi internado no Recife, Pernambuco, no Hospital Santa Joana, já bastante debilitado. No dia 2 de agosto de 1989 faleceu vítima de uma parada cardíaca.

Em 2012, quando se comemorou 100 anos do nascimento de Luiz Gonzaga, foi lançado o filme "De Pai Para Filho", narrando a relação conflituosa entre Gonzaga e Gonzaguinha. O artista recebeu várias homenagens em todo o país.

Sucessos de Luiz Gonzaga

Asa Branca
Luar do Sertão
Súplica Cearense
A Feira de Caruaru
No Meu pé de Serra
A Triste Partida
Assum Preto
Olha Pró Céu
Balance Eu
Paraíba
Pau de Arara
Cintura Fina
Danado de Bom
Riacho do Navio
Xote das Meninas
No Ceará Não Tem Disso Não
Numa Sala de Reboco
Respeita Januário
Pagode Russo
Último Pau de Arara
O Fole Roncou
Zé Matuto
Dezessete e Setecentos
Dança Mariquinha
Baião de Dois
ABC do Sertão